Homenagear Lélia Gonzalez coloca mulher negra no centro da luta antirracista, diz diretora do MST

Homenagear Lélia Gonzalez coloca mulher negra no centro da luta antirracista, diz diretora do MST


O 20º Congresso do Movimento Negro Unificado (MNU), que, neste ano, homenageia Lélia Gonzalez começa nesta sexta-feira (15) e traz como tema “Contra o racismo, sexismo e por reparação”. O evento marca os 48 anos do MNU.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Rosa Negra, dirigente nacional Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirma que a escolha do tema chega em um momento muito simbólico. “Dialoga com os desafios que a gente tem no nosso tempo, com a necessidade urgente de construir um projeto de país comprometido com a justiça racial e o bem viver. As atividades incluem mesas de debates, plenárias, grupos temáticos e atividades culturais, além de articulações nacionais e internacionais com encaminhamentos organizativos do movimento negro”, afirma.

Rosa Negra também explica a importância da escolha da homenageada. “Lélia é uma das maiores intelectuais de sua época, vinha fazendo várias denúncias contra o racismo no Brasil, então nada mais justo que homenageá-la nesse congresso, num debate riquíssimo rumo aos 50 anos do Movimento Negro Unificado”, destaca.

Para ela, o congresso é um momento de reafirmar a ancestralidade e a importância de construir uma organização política negra comprometida com a transformação social profunda. “Quando o congresso escolhe Lélia, ele reafirma a centralidade da mulher negra na construção da resistência do Brasil”, pontua. “Lélia nos ensinou que não existe democracia verdadeira sem enfrentar o racismo e o patriarcado. Seu pensamento segue iluminando a luta antirrascista e feminista no Brasil e em toda a América Latina.”

A militante também comenta a PEC da Reparação, em tramitação no Congresso, que debate os atrasos sociais que a escravidão causou para a população negra. “A PEC traz um debate fundamental porque reconhece o racismo que produziu desigualdades estruturais. O Fundo Nacional de Reparação foi fruto de luta do movimento negro, principalmente a frente antirracista, buscou sensibilizar os parlamentares nesse sentido. Não é tudo que sonhávamos, até porque a reparação não pode ser discutida na perspectiva econômica, porque muitos dos nossos ficaram pelo caminho”, diz. “Nada mais justo que a gente tenha esse fundo de reparação, para proteger a vida e dar um sentido e uma vida melhor para as futuras gerações. Porque os que vieram antes, ficaram pelo meio do caminho.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





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