Thiago Ávila chega ao Brasil após ser sequestrado e preso por Israel: “Vamos derrotar o sionismo”

Thiago Ávila chega ao Brasil após ser sequestrado e preso por Israel: “Vamos derrotar o sionismo”


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  • Thiago Ávila retornou ao Brasil após ser sequestrado e mantido preso em Israel.
  • O incidente ocorreu enquanto ele estava em território israelense.
  • Ao chegar, Ávila declarou intenção de “derrotar o sionismo”.
  • Não há informações sobre processos judiciais ou prisões adicionais no Brasil.

O ativista brasileiro Thiago Ávila desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, nesta segunda-feira (11), após passar dez dias preso em Israel. Integrante da flotilha humanitária Global Sumud, ele foi sequestrado pelas forças israelenses em águas internacionais enquanto participava de uma missão de ajuda à Faixa de Gaza.

Recebido por apoiadores com bandeiras palestinas e palavras de ordem contra o governo israelense, Thiago chegou ao Brasil após ser deportado via Cairo, no Egito. Ao reencontrar militantes e ativistas, o brasileiro declarou:

“Somos a geração que vai derrotar o sionismo”.

“É dever do Estado brasileiro agir contra o genocídio [de palestinos]. O povo palestino é muito grato ao Brasil e ao povo brasileiro pelas mobilizações que tem feito”, afirmou Ávila a jornalistas e apoiadores após desembarcar.

O ativista também fez críticas à influência do sionismo nas instituições brasileiras.

“Mas a gente ainda precisa fazer mais, ainda que as garras do sionismo estejam presentes nos nossos governos estaduais, nossos governos municipais, o nosso Judiciário. Infelizmente, a gente precisa travar essa batalha aqui dentro também, se não o mesmo regime autoritário que hoje massacra palestinos vai se estabelecer sobre nós também.”

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Thiago Ávila é recebido por apoiadores ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

Thiago havia sido detido em 29 de abril, junto ao ativista espanhol-palestino Saif Abukeshek e outros integrantes da flotilha, composta por dezenas de embarcações que tentavam entregar suprimentos humanitários à população palestina em Gaza.

Veja vídeos da chegada de Thiago Ávila ao Brasil:

Cela solitária, luzes acesas e denúncias de tortura

Segundo organizações de direitos humanos e relatos da família, o brasileiro sofreu tortura psicológica durante o período em que esteve preso. A ONG israelense Adalah, responsável pela defesa jurídica dos ativistas, denunciou que ele foi submetido a longos interrogatórios, mantido em cela solitária iluminada 24 horas por dia e obrigado a circular vendado, inclusive durante atendimentos médicos.

A esposa do ativista, Lara Souza Ávila, afirmou que as condições impostas pelas autoridades israelenses provocaram privação de sono e desorientação. Familiares também relataram ameaças de que Thiago poderia permanecer preso por até 100 anos.

“Ficamos sob luz intensa o tempo inteiro. Tentaram nos desorientar psicologicamente”, relatou o ativista após deixar Israel.

Em nota divulgada após a libertação, a Adalah classificou a prisão como uma “flagrante violação do direito internacional” e denunciou que as autoridades israelenses promoveram “um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”. A organização também afirmou que o uso de detenções e maus-tratos contra ativistas representa “uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”.

Israel negou as acusações de tortura e alegou que a flotilha teria ligação com grupos próximos ao Hamas. Os organizadores da missão rejeitam a acusação e sustentam que o objetivo da viagem era exclusivamente humanitário.

Pressão internacional

A prisão de Thiago Ávila provocou reações internacionais. Os governos do Brasil e da Espanha divulgaram nota conjunta condenando o que classificaram como sequestro de cidadãos dos dois países em águas internacionais por parte de Israel. A ONU também pediu a libertação imediata dos ativistas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou publicamente sobre o caso. “Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha ‘Global Sumud’, é uma ação injustificável do governo de Israel”, escreveu o presidente.

Histórico de prisões e mobilização internacional

Thiago Ávila se tornou um dos rostos mais conhecidos da solidariedade internacional à Palestina. Com mais de 800 mil seguidores nas redes sociais, ele já havia sido preso anteriormente por Israel ao participar de outras missões humanitárias em apoio ao povo palestino.

Ao chegar ao Brasil, o ativista reforçou que pretende continuar mobilizando apoio internacional à Palestina. “Nossa luta continua até que Gaza seja livre”, afirmou.

Após passar por São Paulo, Thiago seguiu para Brasília, onde vive com a esposa e a filha. A chegada ao país ocorre dias após a morte de sua mãe, aos 63 anos.






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