10 novas livrarias em Lisboa para uma pausa nos ecrãs – Observador

Num momento em que grandes editoras apostam no mercado de ebooks e que a compra de livros em papel através da internet é muitas vezes mais barata que nas lojas físicas, espaços que abriram — ou se reinventaram — nos últimos sete meses em Lisboa tentam comprovar que ainda há leitores “analógicos”: aqueles que gostam de espreitar prateleiras, folhear páginas e conversar com os livreiros em busca de recomendações.
Um elemento em comum das livrarias abaixo indicadas é a sua característica pessoal: são pequenos negócios com donos que os acompanham de perto, a tentar destacar também pequenas editoras e autores independentes. Exatamente por essa característica, algumas delas não têm horários alargados de funcionamento. Mas nos momentos em que estão abertas, tentam oferecer aos seus clientes aquilo que nem sempre viam acontecer ou ganhar destaque nas suas concorrentes. Seja pela curadoria literária, pelas comodidades como jardim, bar e cafetaria ou a realização de eventos de nicho, estes negócios procuram diferenciar-se para atrair os leitores.
Av. Óscar Monteiro Torres 40a, 1000-219 Lisboa. De terça a sexta-feira das 11h às 20h e aos sábados das 10h às 19h.
A proposta desta livraria é desligar-se das redes sociais e passear pelas suas várias prateleiras com obras de autores do hemisfério sul. No espaço aberto em outubro no Campo Pequeno, os títulos não estão separados por secções, porque a proposta é mesmo que os clientes “viajem” através da curadoria de livros de países como África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Brasil e Argentina. O nome gondwana é uma referência ao supercontinente que há 600 milhões de anos incluía vários territórios do globo terrestre. E sendo o português — com todas as suas variações — a língua mais falada em todo o hemisfério sul segundo as Nações Unidas, há cá também livros portugueses. Este mês, a livraria deu início a um clube de leitura com autores de Moçambique, Chile e Brasil. Os participantes encontram-se naquele espaço em que funciona também uma pequena cafetaria com vinhos e petiscos. Mas, esqueça a ideia de ir para lá trabalhar com o computador ou telemóvel: o conceito cá é o screen-free, “pensado para leitores que procuram momentos tranquilos”, afirmam os donos no perfil do Instagram.
