Ypê: da live pró-Bolsonaro à suspensão pela Anvisa, relembre crises da marca

Ypê: da live pró-Bolsonaro à suspensão pela Anvisa, relembre crises da marca


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  • Ypê realizou uma transmissão ao vivo apoiando o presidente Jair Bolsonaro.
  • A Anvisa suspendeu a comercialização de produtos da marca por questões sanitárias.
  • As duas ocorrências geraram crises de imagem para a empresa.
  • Os fatos aconteceram no Brasil, envolvendo a marca Ypê e a agência reguladora Anvisa.

A Ypê, marca da Química Amparo presente há décadas nas prateleiras brasileiras, entrou em uma nova crise nesta quinta-feira (7), quando a Anvisa determinou o recolhimento de produtos fabricados pela empresa em Amparo, no interior de São Paulo. A decisão amplia uma sequência de desgastes envolvendo a companhia, que já havia sido associada a doações de integrantes da família controladora a Jair Bolsonaro (PL) e a uma condenação por assédio eleitoral após live interna pró-Bolsonaro nas eleições de 2022.

A medida da Anvisa foi publicada na Resolução-RE nº 1.834/2026, no Diário Oficial da União. Segundo a Anvisa, a fiscalização identificou falhas graves em etapas críticas da produção, com risco de contaminação microbiológica.

A Fórum mostrou que a decisão atinge lava-louças, sabão líquido e desinfetantes da marca. Em outra reportagem, a Fórum ouviu especialista sobre os riscos do uso de produtos proibidos pela Anvisa.

Ypê nasceu em Amparo e virou gigante nacional

A Ypê pertence à Química Amparo, empresa fundada em 1950 em Amparo, no interior paulista. Em seu site oficial, a companhia afirma ter 75 anos de história e diz que sua missão é contribuir para saúde, bem-estar e qualidade de vida com produtos de alto desempenho, práticos, sustentáveis e acessíveis.

O discurso institucional contrasta com a nova decisão da Anvisa. O órgão afirma que a inspeção conjunta com vigilâncias sanitárias de São Paulo e de Amparo encontrou descumprimentos relevantes nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

2022: donos da Ypê doaram R$ 1 milhão a Bolsonaro

O primeiro grande desgaste político recente envolvendo a marca ocorreu na campanha presidencial de 2022. A Fórum mostrou, com base em dados eleitorais, que integrantes da família Beira, controladora da Ypê, fizeram doações que somaram R$ 1 milhão à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro.

As doações colocaram a família dona da fabricante de detergentes entre os nomes de maior peso financeiro no entorno empresarial da campanha bolsonarista. O caso teve repercussão nas redes sociais e provocou críticas de consumidores à marca.

Dias depois, a Fórum revelou nova doação de integrante da família à campanha de Bolsonaro, ampliando o vínculo político entre o grupo controlador da empresa e o então candidato do PL.

2022: live pró-Bolsonaro virou ação do MPT

No mesmo ano, a Química Amparo promoveu uma live interna para funcionários sobre o “cenário eleitoral pós-1º turno”. Segundo o Ministério Público do Trabalho, a transmissão teve o objetivo de persuadir trabalhadores a votar no candidato da situação, Jair Bolsonaro.

De acordo com o MPT, a palestra ocorreu no mesmo dia em que começou a propaganda eleitoral do segundo turno de 2022. Para o órgão, o conteúdo buscava influenciar o voto dos empregados, ainda que apresentado como material informativo.

2024: Ypê foi condenada por assédio eleitoral

Em 2024, o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região manteve a condenação da Química Amparo por assédio eleitoral. A decisão confirmou sentença de primeira instância em ação civil pública movida pelo MPT.

A empresa foi condenada a se abster de fazer propaganda eleitoral a favor de qualquer candidato a cargo político, sob pena de multa de R$ 100 mil por infração. O MPT informou, à época, que ainda cabia recurso ao Tribunal Superior do Trabalho.

A Fórum mostrou que a condenação teve como base a live interna realizada pela companhia no segundo turno de 2022.

2026: Anvisa suspende produtos da Ypê

A crise mais recente veio com a decisão sanitária publicada em 2026. A Anvisa determinou o recolhimento e suspendeu a fabricação, a comercialização, a distribuição e o uso de produtos Ypê de lotes com numeração final 1.

No Diário Oficial, a agência afirma que a medida foi motivada pelo descumprimento da RDC nº 47/2013, norma que trata de Boas Práticas de Fabricação para Produtos Saneantes. A inspeção sanitária ocorreu entre 27 e 30 de abril de 2026.

Segundo a Anvisa, os problemas encontrados comprometem requisitos essenciais de fabricação e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de presença indesejada de microrganismos patogênicos.

Ypê diz que colabora com a Anvisa

Em comunicado oficial, a Ypê afirmou que recebeu a determinação da Anvisa e que está colaborando integralmente com a agência. A empresa disse ainda que conduz as ações necessárias com “máxima prioridade, responsabilidade e transparência”.

A companhia também declarou que vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes apresentados às autoridades competentes. A Ypê afirma que incorporará eventuais aprimoramentos e recomendações regulatórias ao seu plano de ação e conformidade regulatória.

A sucessão de episódios coloca a marca em um novo patamar de desgaste público. De um lado, a Ypê tenta sustentar a imagem de gigante nacional de limpeza e sustentabilidade. De outro, acumula uma condenação trabalhista por assédio eleitoral, vínculos de seus controladores com o financiamento da campanha de Bolsonaro e, agora, uma decisão sanitária que atinge diretamente produtos vendidos ao consumidor.




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