Café: Estudo internacional descobre benefício improvável da bebida

Café: Estudo internacional descobre benefício improvável da bebida


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  • Cientistas da Texas A&M University divulgaram na revista *Nutrients* pesquisa sobre o café.
  • O estudo analisou o receptor nuclear órfão NR4A1 (Nur77), ligado à resposta ao estresse celular, inflamação e reparo de tecidos.
  • Demonstrou que componentes do café—cafeico, ferúlico, clorogênico, p‑cumárico, kahweol e cafestol—se ligam ao NR4A1.
  • Os autores sugerem que essa interação pode explicar parte dos efeitos protetores do café contra o envelhecimento celular.

O café, tão querido pelos brasileiros, é conhecido, tanto pelo sabor quanto por suas propriedades estimulantes, especialmente a cafeína. Porém, estudo publicado na revista científica Nutrients apontou que compostos existentes na bebida se relacionam com uma via biológica ligada à resposta do organismo ao estresse celular, à inflamação e ao reparo de tecidos, que corresponde ao envelhecimento celular.

O trabalho, conduzido por cientistas da Texas A & M University, investigou a função do receptor nuclear órfão NR4A1, também conhecido como Nur77, ligado à maneira como o café e alguns de seus componentes atuam em células.

O NR4A1 é uma espécie de “interruptor” celular. Auxilia na regulação de respostas do organismo quando existe alguma inflamação, agressão aos tecidos ou estresse nas células.

Os autores da pesquisa informaram que estudos anteriores já indicavam que a perda da atividade do NR4A1 pode piorar lesões em órgãos e tecidos.

A hipótese levantada pelos cientistas é que parte dos efeitos protetores associados ao café pode acontecer porque algumas substâncias da bebida têm a capacidade de se ligarem a tal receptor e influenciar sua atividade.

Os resultados do estudo indicaram que vários componentes presentes no café se ligam ao NR4A1. Entre eles, ácido cafeico, ácido ferúlico, ácido clorogênico, ácido p-cumárico, kahweol e cafestol.

Cafeína tem atividade funcional baixa

Um ponto relevante descoberto é que a cafeína não parece ser a responsável principal pelos efeitos observados. A substância até se ligou ao NR4A1, porém, teve atividade funcional considerada baixa e variável nos modelos utilizados. Já compostos como os polifenóis, o kahweol e o cafestol obtiveram respostas mais sólidos.

Apesar dos achados, o estudo foi realizado, principalmente, em modelos laboratoriais, o que ajuda a explicar um possível mecanismo biológico. Entretanto, não prova que beber café previne doenças em humanos ou muda recomendações de consumo.

Os próprios autores ressaltaram que os resultados precisam ser confirmados em estudos futuros, principalmente em tecidos e órgãos não transformados.

Estudos desenvolvidos anteriormente já associaram o consumo do café a menores mortalidade e risco de algumas doenças relacionadas ao envelhecimento.

A nova pesquisa busca explicar uma parte do “porquê”, apontando o NR4A1 como possível ligação entre os compostos da bebida e efeitos celulares relacionados à proteção contra inflamação e dano dos tecidos.




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