Reservas mundiais de petróleo atingem mínimas históricas e têm prazo de duração

Reservas mundiais de petróleo atingem mínimas históricas e têm prazo de duração


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  • Goldman Sachs alerta que as reservas globais de petróleo estão nos níveis mais baixos em quase uma década, bastando para cerca de 101 dias de demanda, podendo cair para 98 dias até o fim de maio.
  • A queda ocorre em meio à escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã e a interrupção logística no Estreito de Ormuz, rota que movimenta 20 % a 25 % do comércio mundial de petróleo.
  • O preço do petróleo já acumulou alta de 20 % e a Agência Internacional de Energia avisa que restrições prolongadas podem gerar choques de oferta duradouros.
  • Estoques de combustíveis refinados – diesel, gasolina e querosene de aviação – estão estimados em apenas 45 dias, enquanto o Irã exige coordenação prévia de navios no Estreito, afetando o fluxo para a Ásia.

As reservas globais de petróleo estão se aproximando de seus níveis mais baixos em quase uma década, em um cenário de crescente instabilidade geopolítica e disrupções logísticas no Estreito de Ormuz, passagem marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e por onde transita cerca de 20% a 25% do comércio global de petróleo, segundo análises divulgadas pela instituição financeira Goldman Sachs.

O alerta considera a velocidade da queda dos estoques globais do insumo, que, segundo o banco, podem ser suficientes para apenas 101 dias de abastecimento da demanda mundial. Até o fim deste mês de maio, se o cenário se mantiver constante, no entanto, o prazo pode ser reduzido a 98 dias.

Embora o banco considere quase improvável que as reservas atinjam esse valor mínimo no curto prazo, descreve o cenário atual como muito preocupante.

Essa redução dos estoques ocorre em paralelo às incertezas sobre a escalada militar de Estados Unidos, Israel e Irã, que ainda põem em risco as principais estruturas petrolíferas e rotas logísticas da região pérsica e dos Emirados Árabes Unidos.

A alta no petróleo já soma um acumulado de 20% e, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), qualquer restrição prolongada tende a alterar a previsibilidade da oferta e causar choques prolongados.

Além do petróleo bruto, insumo de referência internacional, também os refinados têm sido significativamente afetados: é o caso do diesel, da gasolina e do querosene de avião, estimados em apenas 45 dias de estoques.

Apesar da trégua instável acordada entre as administrações norte-americana e iraniana no começo de abril, que já foi rompida por ataques adicionais, o governo iraniano ainda exige coordenação prévia de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o petróleo mundial, responsável por cerca de 80% do fluxo destinado aos mercados asiáticos.

As Forças Armadas iranianas continuam a manter domínio operacional da região, enquanto os EUA tentam inserir seu “Projeto Liberdade”, um plano para guiar navios retidos no Estreito, driblando a fiscalização do país persa.

Leia também: Irã promete reagir contra forças americanas após anúncio de Trump sobre Estreito de Ormuz – Revista Fórum

Outra medida em discussão em Teerã é a criação de um sistema de pedágios para embarcações que transitam pelo estreito, proposta que, se implementada, pode alterar novamente a estrutura de custos do setor energético, já pressionado pela inflação de preços.

Enquanto o petróleo árabe sofre pressões geopolíticas, novas rotas de produção e exportação se abrem como alternativas no eixo latino-americano, especialmente entre os três países com maiores potenciais de exploração e infraestrutura do setor de hidrocarbonetos: Brasil, Argentina e Venezuela, cujo mercado passou por uma abertura recente ao capital estrangeiro após a invasão dos EUA.

Com a crise do Estreito de Ormuz, que compromete o fluxo de petróleo destinado a abastecer a Ásia, a demanda mundial tende a ser ampliada para fornecedores de fora do Oriente Médio, apesar das rotas mais longas e dos contratos mais caros de importação.

Leia também: As três potências petrolíferas que formam um novo bloco energético da América Latina – Revista Fórum




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