Rovai: como Jacques Wagner virou escudo de Alcolumbre e Moraes
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- Jacques Wagner foi apontado como responsável pela rejeição da candidatura de Messias.
- Davi Alcolumbre e Alexandre de Moraes teriam usado Wagner como “escudo” político.
- Lideranças do PT criticam o foco excessivo em Wagner, alegando erro de avaliação.
- O comportamento de Wagner é descrito como típico de parlamentares experientes que negociam resultados.
A água baixou e as pessoas começam a tentar entender melhor o que aconteceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. Eu conversei com muita gente nesses dias e muitos defendem colocar água na fervura. Eu fiz um vídeo crítico a esse respeito, mas quero abrir aqui espaço para as ponderações que vi de pessoas muito importantes e relevantes.
Acabo de falar com uma delas que têm uma grande história no PT há alguns minutos. Ela me ponderou o seguinte: há um erro de foco. Citou algumas pessoas, ex-lideranças e atuais lideranças do PT, que estariam cometendo esse erro de avaliação ao focar no Jacques Wagner como responsável pela não aprovação do Messias.
Essas pessoas têm dito que Wagner teve um comportamento republicano, muito típico de quem está há muito tempo na Câmara e no Senado. Quando ganha ou perde, conversa com seus interlocutores, e ele fez o que geralmente sempre se faz. Só que todos os holofotes acabaram indo para cima dele naquele momento.
Segundo essa avaliação, a articulação do veto ao Messias tem dois nomes: Davi Alcolumbre e Alexandre de Moraes. Teria sido um grande acordo do ministro do Supremo com o presidente do Senado que levou a essa votação de 42 a 34. Um acordo para segurar a investigação em relação ao Banco Máster.
Momentos antes da votação, Alcolumbre foi visto com Jacques Wagner. Mas essa pessoa que falou comigo hoje disse, por exemplo, que recebeu um telefonema cravando os números, 42 a 34, e que, inclusive, antes da votação, havia avisado a Jorge Messias, dias antes, que ele perderia e que era preciso conversar com o presidente e não levar o nome. Mesmo assim, Messias teria ignorado o aviso.
Começam a aparecer um pouco mais os bastidores desse processo, e é por isso que há um grupo de pessoas — deputados federais, ministros e ex-ministros — defendendo dar uma segurada na onda e verificar como lidar com a situação.
Por exemplo, Gilmar Mendes teria ficado muito insatisfeito com isso. Ele não estava junto nesse processo. Flávio Dino, por questões maranhenses, teria se envolvido um pouco, mas não tão diretamente.
Quer dizer, há espaço para diálogo, inclusive com Alcolumbre, que teria dito o seguinte: se Lula se reeleger, ele manda o Messias e a gente aprova; agora, não.
Ainda há muita água para passar por debaixo dessa ponte. Amanhã trago mais informações de bastidores e uma apuração nova em on.
