Portugueses consideram enfermeiros  “atenciosos, empáticos e científicos” (e  encorajariam os filhos a seguir a profissão)

Portugueses consideram enfermeiros  “atenciosos, empáticos e científicos” (e  encorajariam os filhos a seguir a profissão)


Estudo da Escola de Enfermagem da Universidade de Coimbra revela, todavia,  perceções de um reconhecimento social “abaixo do que deveria ser”.  Investigadores sustentam que é preciso comunicar melhor a profissão e os  múltiplos papéis que os enfermeiros desempenham. 

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Um estudo que está a ser realizado com cidadãos adultos de dez países europeus mostra, para já a  nível nacional, que os portugueses têm opinião positiva sobre os enfermeiros, que qualificam como  profissionais “atenciosos” (segundo 84,4% dos inquiridos), “simpáticos” (para 83,8%) e “calorosos”  (dizem-no 77,7%). Mas os enfermeiros e enfermeiras portugueses também são “empáticos” e  “científicos”, para respetivamente 74,0% e 65,5% de uma amostra de 296 cidadãos do país (29,1% dos quais profissionais de saúde) que participou no estudo, intitulado “(Re)Conhecimento Social  dos Enfermeiros – Perceções na sociedade portuguesa”. 

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Segundo os resultados deste estudo exploratório, conduzido em Portugal por uma equipa de  investigadores da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), e que  foram parcialmente divulgados na revista científica Sociologia, Problemas e Práticas, os enfermeiros  portugueses não são considerados “submissos” nem “autónomos”, nem “seguidores” ou “líderes”,  ficando a meio caminho nestes descritores opostos. 

Por outro lado, se a maioria dos respondentes (84,5%) concorda/está totalmente de acordo com a  ideia de que «a profissionalização da Enfermagem está a aumentar», fruto de um «desenvolvimento  cada vez maior dos seus conhecimentos e competências», já não concorda, ou não concorda nada,  com a opinião de que enfermeiros e enfermeiras podem tomar decisões autonomamente (61,5%). 

Estando algo divididos quanto à “alta atratividade da profissão” (58,5% concordam ou estão  totalmente de acordo com esta asserção), os portugueses participantes do estudo responderam,  maioritariamente (65,9%), que encorajariam os filhos a estudar Enfermagem. 

Quando em comparação com outras profissões, numa classificação segundo o prestígio  socioeconómico (numa escala de 1 a 10 pontos), a amostra deste estudo descritivo e transversal  coloca os enfermeiros (7,5) quase ao mesmo nível que os advogados (7,8), os engenheiros (7,7) e os  professores (7,3).  

Relativamente ao conhecimento de conteúdo funcional dos enfermeiros, pouco mais de metade  dos inquiridos consideram que são atividades da sua total responsabilidade a colocação de  perfusões endovenosas (“soros”), sondas vesicais (“algálias”) ou sondas gástricas.  

Consideram ainda que, em parte, são atividades da responsabilidade dos enfermeiros, os cuidados  de saúde preventivos (58,8%), os cuidados de higiene (51,4 %), o desenvolvimento de atividades de 

pesquisa/investigação (52,4%) e o reconhecimento de complicações do tratamento (50,0%).  

Inversamente, os participantes neste estudo entendem que não faz parte das funções dos  enfermeiros a prescrição de medicamentos (na perceção de 71,6%) e a decisão sobre a  continuação/suspensão de medicamentos (opinião de 57,1%). 

Medida numa escala de “abaixo do que deveria ser”, “aceitável”, “bom” e “acima do que deveria ser”,  a forma como a profissão de Enfermagem é valorizada em termos de reconhecimento social está,  para a maioria (72,6%), “abaixo do que deveria ser”. 

Para os autores do estudo (professores Luís Batalha, Isabel Fernandes e Paulo Alexandre Ferreira e  investigador José Miguel Seguro), estes «resultados», cuja estabilidade será analisada até 2031,  «refletem uma realidade paradoxal». 

Embora os enfermeiros sejam «amplamente reconhecidos pela sua empatia, profissionalismo e  dedicação, sendo frequentemente descritos como cuidadosos, atenciosos e empáticos», essa  «imagem positiva» não tem correspondência «proporcional no reconhecimento social e na  valorização da profissão», sublinha a equipa de investigadores liderada por Luís Batalha. 

Também «a baixa percentagem dos que consideram que os/as enfermeiros/as têm um raciocínio  clínico autónomo e que têm capacidade investigativa, evidenciada nas respostas dos participantes,  traduz», para os autores da ESEUC, «uma visão anacrónica da profissão, ainda associada ao  cumprimento de tarefas e não à tomada de decisão clínica fundamentada». 

O autores do estudo concluem, no artigo, que «o desfasamento entre as perceções pública, social e  funcional da Enfermagem, e o contexto académico, científico e profissional atual orientam para o  reforço na implementação de medidas efetivas de comunicação/divulgação sobre a profissão, os  seus valores e os múltiplos papéis que os enfermeiros desempenham na prática clínica, na  educação, na administração, na investigação, nas políticas e em iniciativas de saúde pública de  âmbito nacional ou internacional». 

Embora os resultados desta investigação, inserida no projeto estruturante da Unidade de  Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem, “Reconhecimento social e profissional dos  enfermeiros (ReSoPrE)”, apresentem «constrangimentos impostos por uma amostragem não  probabilística», os autores consideram que «fornecem informações importantes sobre a  Enfermagem nas perceções do público», as quais «orientam para a pertinência da investigação  longitudinal, permitindo conhecer a evolução destas perceções e dos fatores que podem estar na  sua génese». 

O estudo “(Re)Conhecimento Social dos Enfermeiros – Perceções na sociedade portuguesa” enquadra-se no projeto internacional “EQUANU – Equality in social and professional recognition of  nurses”, liderado pela Universidade de Antuérpia (Bélgica) e realizado pelo grupo Nurse and  Pharmaceutical Care. 

Além das instituições de ensino superior belga e portuguesa, participam neste projeto, para  investigar a evolução da imagem social dos enfermeiros na Europa, estabelecimentos da Alemanha,  Eslovénia, Espanha, Grécia, Itália, Noruega, Países Baixos e República Checa.

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