SCP x TON. “Penálti a favor do Tondela bem assinalado” – Observador

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Sem falta na Rádio Observador contamos sempre com o Pedro Henriques. Pedro, mais uma vez, muito bem-vindo. Boa noite.
Boa noite.
Vamos olhar para o trabalho do árbitro, o juiz Fábio Veríssimo, que esteve ao comando deste Sporting 2, Sondela também 2, a contar para o campeonato. Vamos começar a olhar para os lances. Dezessete minutos, amarelo para Pedro Maranhão.
Sim, é um lance em que os jogadores, o Maranhão e o Debast, já estavam um bocadinho desentendidos e já sem bola, o Maranhão deixa a perna para trás. Eu na altura até disse uma expressão que não é muito bonita, mas é para as pessoas perceberem, tipo um coice. Deixa a perna para trás e dá um coice, uma patada no Debast. Comportamento incorreto, desportivo, completamente desnecessário e foi bem sancionado com o cartão amarelo.
Passados dois minutos, aos 19, mais um amarelo, desta vez para Rony Lopes.
Sim, é uma entrada fora tempo, com a perna esquerda esticada e depois com a ponta do pé, pisa e ao mesmo tempo rasteira o pé esquerdo do Kenda. É uma entrada durinha, negligente, bem sancionada disciplinarmente também.
Avançamos para o minuto 43, amarelo a Tiago Manso.
Sim, é o 43. Eu já vi que não mandei dois lances, peço desculpa.
Não tem mal.
Já vi. É o minuto 29 e o minuto 88, são dois lances que eu estou a olhar aqui para a lista que mandei e faltou. Portanto, vou falar do minuto 29, já passo ao 43. Não sei se recordas, a dado momento, a bola vai para canto, o Luís Suárez está ali numa troca de palavras com o Hélder Tavares e de repente o Luís Suárez fica-se a agarrar à cara e eu tive que rever esse lance, por isso é que depois acabei por não mandar, para ver se tinha havido alguma agressão ou não. Não há nenhuma agressão, realmente há ali um empurrão. No limite, poderíamos ter aqui uma situação antidesportiva, poderíamos dizer que o Hélder e o Luís podiam ter levado os dois cartão amarelo, porque no fundo, embora o Luís Suárez é que tenha caído, ambos se provocaram um ao outro. Eu aceito a gestão sem nada, até porque não houve nenhuma agressão, é aquele téte-à-téte, a bola não estava a ser jogada, tinha saído para canto, portanto, tudo certo. Minuto 43, a pergunta que fizeste então. É o Tiago Manso que entra a deslizar, acaba por também tocar e derrubar o Kenda. Claro que depois a queda parece mais aparatosa, ou seja, inicialmente pareceu uma entrada muito dura, mas o fato é que mesmo sem grande aparato, impede uma saída em contra-ataque pelo corredor esquerdo, neste caso da equipe do Sporting, por isso cartão amarelo bem mostrado.
Ainda antes do intervalo, há esse lance também com amarelo para Eduardo Quaresma.
Sim, é uma situação em que o Quaresma percebe que já não consegue chegar à bola, podia ter temporizado o ímpeto e a sua corrida, mas não parou e com a perna esquerda toca e derruba a perna direita do Cristiano Marcos, que acaba por também, como ia em desequilíbrio, quase ser virado ao contrário. Portanto, eu concordo com o cartão amarelo, porque também esta entrada acaba por ser negligente.
Já na segunda parte, há o livre direto que ficou em falta, uma falta sobre Suárez à entrada da área, Pedro.
Sim, e é só para dizer o seguinte, é aquele lance em que o Suárez fica a pedir penalti. Só para relembrar as pessoas que sempre que há uma situação de possível penalti, mesmo que o jogo não pare, a preocupação do VAR é ir logo ver se há motivo ou não para infração, porque se houver, não precisa de esperar que a bola termine o seu efeito, a jogada, para intervir. E o árbitro, se a bola estiver numa zona morta, tipo meio-campo ou coisa assim, interrompe mesmo o jogo e depois iria perceber que haveria um pontapé de penalti, depois iria ao monitor, etc. E portanto, quando o VAR faz isto, mesmo que o jogo continue, quem é que fica com os comandos da transmissão? É o AVAR, porque pode entretanto não ser penalti e entretanto haver uma outra situação qualquer. Para as pessoas perceberem a lógica. E a dado momento o Fábio Veríssimo, ainda com o jogo a correr, faz o sinal de mão no ouvido, como quem diz: “Já recebi aqui a informação que não há qualquer motivo para penalti”. O VAR não lhe está a dizer: “Olha, não foi penalti porque a falta foi fora da área”, que as pessoas têm muito essa ideia. Não, o VAR apenas se limita a dizer: “Segue o jogo”, sem explicar o que aconteceu. Para o árbitro, aquilo que ele sabe é que não há infração para penalti, mas não sabe que houve infração, que era para livre direto. Para as pessoas perceberem, porque realmente há uma infração, há um pisão, e clarinho, o Citol, aquilo se é dentro da área, é penalti, clarinho. Portanto, o Citol com o pé direito pisa o pé direito do Luís Suárez, é fora da área e por isso não há motivo para penalti. O árbitro não faz a mínima ideia que ficou por marcar uma falta, porque a única informação que recebe é seguir o jogo. Só realçar o seguinte: parte do corpo, tanto o Citol como o Luís Suárez, estão dentro da área, mas o que conta não é onde está o corpo, onde estão os apoios, é onde é que é o contato para a falta. E nesse ponto de contato é que nós vamos ver se é dentro ou fora. Neste caso concreto, é um pisão, os pés estão fora, portanto, ficou um livre direto por assinalar, mas não havia motivo para penalti.
Exatamente. Aos 62 minutos, o gol do Suárez, que é legal, Pedro.
Certo, é na construção da jogada, porque há ali um momento em que o Gené Catán passa para o Blopa no corredor direito e ele está em jogo. Tem mais de dois adversários entre a linha de baliza e não há fora de jogo, portanto, tudo certo naquilo que depois é o gol do Suárez.
Minuto 77, mais um amarelo, desta vez para Blopa.
Sim, o minuto 77 é o Blopa que corta a chamada falta tática e acaba por fazer uma falta sobre o Rodrigo Conceição. Acaba por parar. Ele usa o braço e usa a perna para o derrubar, o Rodrigo saía em contra-ataque e portanto, o cartão amarelo foi bem mostrado. E agora o 88, que eu não pedi.
Vamos a isso.
É isso. Não, é porque este lance do minuto 88 é importante, eu estava-me a escapar a colocar, não tinha aqui na sequência, depois é que fui verificar que não tinha mandado. Não sei se recordas que é lance também com o Kroos Chavel, em que há um choque com o Eiko, frontal. E o Eiko fica ali a pedir um pontapé de penalti, mas depois percebe-se, com imagens que curiosamente deram depois da transmissão do jogo, ou seja, quando é o programa que a própria Sport TV faz, em que vai buscar lances com mais equidade. Eu fiquei com a ideia que havia só o choque de frente, não há motivo para o pontapé de penalti, mas há mais uma coisa importante, é que o Kroos Chavel com o pé direito toca na bola e desarma o Eiko. E o choque frontal acontece até porque o Eiko já estava em desequilíbrio e tinha adentrado a bola. Portanto, tudo legal, não há motivo para o pontapé de penalti.
Agora sim, o penalti é ao minuto 90.
É penalty, porque o Coadeville não é nos pés, faltavam aqui melhores imagens, é com a mão esquerda nas costas, empurra o Hugo Félix e é isso que leva ao desequilíbrio. Eu não vou aqui discutir intensidades, porque pode dar aquela ideia, mas ele colocou a mão, até que ponto é que aquilo é suficiente para ele cair? O fato é que ele desequilibra-se completamente e até chuta de uma forma muito estranha. E no meu ponto de vista, com o pé já armado, qualquer toque que é dado ali nas costas é suficiente para o desequilibrar. E o que interessa, ao contrário do que as pessoas pensam, que é uma questão de intensidade, embora a gente utilize muitas vezes essa expressão, o que interessa é causa e efeito. Se, neste caso, a mão nas costas, que o empurra, se é suficiente para acontecer qualquer coisa, se o desequilibra, se o tira da jogada, se o impede de rematar, e isto tudo aconteceu. Portanto, para mim, boa decisão na questão do pontapé de penalty.
Queres falar ainda da defesa de Rui Silva ao minuto 91?
Sim, só para dizer que sempre que um guarda-redes defende um penalty, o VAR é obrigado a parar o momento em que há o remate. No momento em que a bola está a partir, para tentar perceber se há alguma irregularidade por parte dos guarda-redes, porque se houver, o VAR repete. E qual é a irregularidade que os guarda-redes podem cometer? É ao nível dos pés. Mas ele tem o pé direito para a frente e o esquerdo sobre a linha de baliza. Portanto, o que diz a regra é que, de uma forma mais simples, tu podes adiantar um dos pés para a frente, é um bocado extremo, mas tu podes movimentar um pé para a frente, desde que o outro pé esteja ou a pisar a linha, ou mesmo que esteja no ar, no enfamento da linha, ou até a resvalar para dentro da própria baliza. Portanto, neste caso, o pé direito estava para a frente, o pé esquerdo estava sobre a linha de baliza e portanto tudo legal ao nível da defesa.
Lances analisados, Pedro, avançamos para a nota, para a equipa comandada por Fábio Veríssimo.
Vou dar nota sete, os gols foram legais. Para mim, o momento importante, embora depois tenha impacto e não tenha, porque é um penalty, não resulta em gol, mas é um momento importante, depois dá o canto e depois do canto é que dá aquilo tudo que a gente sabe. De qualquer maneira, os gols foram legais, o pontapé de penalty foi bem assinalado, os outros lances de área, que não foram muitos, também foram bem analisados. Tem aquela falha que nós falámos aqui, mas tem pouco significado. Disciplinarmente esteve bem. Não concordo muito que o tempo extra dado foi escasso, tanto o minuto como os quatro, na primeira e segunda parte, mas há uma coisa que realça deste jogo, ainda não fui ver na lista completa, mas estes quase 64% de tempo útil, mais de 62 minutos de jogo jogado, colocam com certeza este num dos jogos com mais tempo útil da nossa liga, porque raramente temos jogos, ou não é raramente, temos poucos jogos a passar acima dos 60% e, portanto, este com 64% estará claramente no tempo útil mais elevado. Isto também se calhar contribuiu as poucas faltas para essa liga, 24 faltas, que é pouco em relação à média da nossa liga e por isso foi uma arbitragem claramente positiva. Nota sete para o árbitro, que esteve muito bem.
Trabalho do árbitro Fábio Veríssimo, que vale nota sete pelo Pedro Henriques. Neste jogo que terminou empatado, o Sporting dois, Tondela também dois, a contar para a jornada em atraso, número 26 do campeonato. Pedro, um abraço. Continuação de boa noite. O “Sem Falta” que além da rádio, também fica disponível em podcast já daqui a pouco.
