Chapa para o Senado: o direito de decidir é do partido
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- O Partido dos Trabalhadores (PT) reafirmou que a escolha dos suplentes da candidatura ao Senado de Benedita da Silva, no Rio de Janeiro, cabe aos diretórios e executivas do partido.
- A decisão segue o Processo de Eleição Direta (PED), que reflete a votação dos filiados estaduais que formaram a maioria do diretório fluminense.
- O PT destaca que a definição das chapas proporcionais e majoritárias é atribuição da direção partidária, não da vontade individual dos candidatos.
- O posicionamento visa manter a democracia interna e evitar práticas de patrimonialismo e individualismo dentro do partido.
Entre as características mais marcantes do Partido dos Trabalhadores, e que o diferenciam das demais experiências partidárias brasileiras, inclusive no campo da esquerda, estão seu compromisso com a democracia interna e a ampla participação de seus filiados e militantes em suas decisões e definição de rumos.
No PT, o debate e o dissenso não são apenas apelos retóricos, mas sim as molas mestras que contribuíram fortemente para a sua transformação no maior partido de esquerda em escala global.
A propósito, a polêmica em torno da indicação dos suplentes da candidata do partido ao Senado pelo Rio de Janeiro, a deputada federal Benedita da Silva, acaba caindo como uma luva para a reafirmação do papel das instâncias do partido e o respeito à decisão soberana dos filiados.
Direto ao ponto: sempre coube aos diretórios e executivas, cujas composições refletem o Processo de Eleição Direta (PED), a indicação de candidaturas e suplências.
Foram os filiados ao partido no estado que optaram, através do voto, por formar a maioria atual do diretório fluminense. A definição das chapas proporcionais e majoritárias, portanto, é atribuição da direção partidária e não fruto da vontade individual dos escolhidos para travar a disputa eleitoral em nome do partido.
Por mais qualificado que seja o candidato ou candidata, por mais que sua trajetória e história sejam respeitáveis, por mais que tenha uma extensa folha de serviços prestados, não lhe cabe a indicação de seus suplentes.
Isso porque o PT não é um partido que se rende ao patrimonialismo e ao individualismo. No caso da candidatura de Benedita da Silva, vale destacar que sua escolha para concorrer ao Senado da República se deu por unanimidade, seja por sua história de dedicação às boas causas do povo brasileiro, seja porque concorre com reais chances de vitória em uma eleição em que a mudança na correlação de forças no Senado e na Câmara dos Deputados tem importância crucial.
Mas isso não lhe confere o direito de formar a chapa para o Senado por meio da indicação dos suplentes sem a devida chancela partidária. E mesmo se o foco dessa discussão se voltar para a força eleitoral potencial dos nomes em questão, veremos o quanto foi correta a decisão da maioria.
O vereador da capital, Felipe Pires, o nosso primeiro suplente, além de líder da bancada do PT na Câmara dos Vereadores, tem larga penetração política na Zona Oeste, região populosa e estratégica em termos políticos e eleitorais.
Já o segundo suplente, o pastor evangélico e cantor gospel Kléber Lucas, dialoga com setores em geral refratários ao PT e pode abrir um caminho promissor na disputa pelo voto evangélico.
Não podemos perder de vista o que está em jogo nesta eleição. Vamos enfrentar uma batalha duríssima para impedir a volta dos fascistas ao poder. A conjuntura não oferece espaço para aventuras e tampouco para escolhas pautadas por critérios pouco politizados e baseados na confiança pessoal.
Nesse contexto, chapas majoritárias fortes e representativas são fundamentais para que possamos reeleger o presidente Lula, bem como para formarmos grandes bancadas na Câmara dos Deputados, na Alerj e no Senado.
*Celso Pansera foi ministro da Ciência e Tecnologia e deputado federal. Presidiu a Finep e a Codemar, a empresa de desenvolvimento da prefeitura de Maricá.
**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.
