Abril Vermelho: memória, luta e unidade dos povos

Abril Vermelho: memória, luta e unidade dos povos


00:00


Modo claro


Modo escuro

A+
A-

  • Mais de 70 jovens trabalhadores rurais do Brasil, integrantes da Brigada Maria Aragão e de organizações como o MST, participam do Abril Vermelho em Cuba.
  • A ação, realizada em abril de 2026, comemora 30 anos do massacre de Eldorado do Carajás e reforça a memória da luta agrária.
  • A brigada tem como objetivo formar médicos populares para atender comunidades, vinculando a saúde à reforma agrária.
  • O evento enfatiza a solidariedade latino‑americana contra a violência no campo, o racismo e o patriarcado.

Neste mês de abril, quando o vermelho da luta cobre os campos do Brasil e da América Latina, nós, da Brigada
Maria Aragão, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, junto às organizações populares que
constroem esta brigada em solo cubano — Levante Popular da Juventude, Brasil Popular, Casa da Amizade
Brasil-Cuba, movimento Quilombola, FETRAECE, FETANCE, FEPOINCE, Articulação Nacional de Educação
Popular em Saúde (ANEPS), Movimento de Saúde Mental, Escola de Familia Agricola Dom Fragoso (EFA),
Movimento Negro Unificado e Movimento de Mulheres Camponesas — nos somamos ao Abril Vermelho como gesto de memória, denúncia e compromisso histórico.

Aqui em Cuba, somos mais de 70 jovens da classe trabalhadora, vindos do campo, da periferia, dos quilombos e dos
territórios populares do Brasil, que constroem esta brigada movidos pelo sonho coletivo de se tornarem médicos e
médicas populares, comprometidos com uma medicina de ciência e consciência, a serviço do povo e da vida. Nossa
formação é parte da mesma luta que floresce no Abril Vermelho: formar para libertar, cuidar para transformar, viver para servir.

30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás

Abril é tempo de lembrar que a terra segue manchada pelo sangue de trabalhadores e trabalhadoras que ousaram
lutar. Neste mês, completam-se 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, crime que marcou profundamente a
história da luta pela terra no Brasil, quando trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra foram brutalmente
assassinados por reivindicar o direito de viver e produzir com dignidade. Por eles e por todas as vítimas da violência
no campo, reafirmamos nossa solidariedade à luta pela Reforma Agrária Popular e nossa convicção de que ninguém
será esquecido.

É tempo de reafirmar que a Reforma Agrária não é crime, é justiça. Que produzir alimento, defender a vida, cuidar
da saúde do povo, combater o racismo, o patriarcado e todas as formas de opressão fazem parte da mesma luta.

Terra de dignidade e resistência

Desde Cuba, terra de dignidade e resistência, levantamos nossa voz em solidariedade a cada acampamento,
assentamento, quilombo, periferia organizada e território em resistência no Brasil. Como nos ensina Che Guevara,
“se você é capaz de tremer de indignação diante de qualquer injustiça, então somos companheiros”. É com essa
indignação organizada que seguimos.

Da juventude organizada às mulheres camponesas, do povo negro às comunidades quilombolas, dos trabalhadores
e trabalhadoras do campo às lutas pela saúde mental e pela educação popular em saúde, afirmamos em unidade:

A luta pela terra é também luta pela vida, pela saúde do povo, pela soberania dos povos e pela dignidade humana.”

Não há fronteiras para a solidariedade entre os povos. O que nos une é a certeza de que a terra deve cumprir sua
função social, de que o campo precisa ser espaço de vida e não de morte, e de que nenhum mártir será esquecido.

Inspirados no exemplo de Maria Aragão, mulher que dá nome à nossa brigada, reafirmamos que lutar é um ato
profundo de amor ao povo. Por isso, transformamos o luto em organização e a memória em ação coletiva.

Neste Abril Vermelho, reafirmamos nosso compromisso com a Reforma Agrária Popular, com a justiça sociaBrigada Maria Aragãol, com a soberania alimentar, com a luta antirracista, feminista e popular, e com a construção de um mundo onde a terra, o
pão, a saúde, a palavra e a dignidade sejam direitos de todos e todas.

Do Brasil a Cuba, da terra ocupada às salas de aula da medicina popular, dos campos em luta aos povos em
resistência:

Seguimos em luta. Seguimos semeando.

“Aos nossos mortos nem um minuto de silêncio mas toda uma vida de luta”

Brigada Maria Aragão – MST Em unidade com os movimentos sociais brasileiros em Cuba




Source link

Postagens Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *