Como a missão Artemis II virou alvo de teorias da conspiração bizarras
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- Missão Artemis II virou alvo de teorias da conspiração com alegações falsas de que a aproximação lunar foi encenada em estúdio.
- Imagens e vídeos com desinformação circulam no X, TikTok e Facebook, incluindo uma imagem manipulda por IA vista mais de 1 milhão de vezes.
- Hashtags como “espaço falso” e “NASA falsa” viralizaram, reactivando teorias sobre a Apollo 11.
- Especialistas confirmaram que as anomalias apontadas são resultantes de manipulação digital e sobreposições malfeitas por emissoras.
Desde alegações falsas de que uma histórica aproximação lunar teria sido encenada em um estúdio de cinema até narrativas infundadas de que as imagens da tripulação teriam sido geradas por IA, a missão Artemis II tem sido ofuscada por uma enxurrada de desinformação.
As falsidades — que circulam em plataformas de tecnologia, incluindo X, TikTok e Facebook — também deram novo fôlego a uma teoria da conspiração de longa data de que a aterrissagem lunar da Apollo 11 da NASA em 1969 foi forjada.
Hashtags como “espaço falso” e “NASA falsa” ganharam força online desde que a aproximação lunar da NASA levou os astronautas mais longe da Terra do que qualquer ser humano antes.
Entre as falsidades estava uma imagem, vista mais de um milhão de vezes no X, que supostamente mostrava a tripulação da Artemis II flutuando diante de uma tela verde e diante de câmeras de filmagem — sugerindo que a missão foi encenada em um estúdio, mas que, na realidade, apresentava as marcas de manipulação por IA.
Alguns usuários também compartilharam um vídeo mostrando texto aparecendo através do mascote oficial da missão como suposta prova de que o voo foi encenado.
Mas um especialista em perícia digital disse aos verificadores de fatos da AFP que a anomalia foi resultado de uma sobreposição de texto malfeita por uma emissora de notícias que havia distribuído a transmissão oficial.
Alegações infundadas de que a missão Artemis II detectou um misterioso objeto em movimento na superfície da Lua também acumularam milhões de visualizações em várias plataformas.
A desinformação se espalhou enquanto quatro astronautas — se preparando na sexta-feira para uma reentrada e um pouso aquático de alto risco — cativavam o mundo com imagens impressionantes de sua passagem pelo satélite natural da Terra a bordo da espaçonave Orion.
O Velho Oeste da Internet
Antes confinadas às margens da internet, as teorias da conspiração passaram diretamente para o mainstream em meio à crescente desconfiança nas instituições públicas e na mídia tradicional.
Conquistas científicas como a missão lunar representam “conteúdo muito fácil para influenciadores de conspiração”, disse o pesquisador de desinformação Mike Rothschild.
“Há pessoas cuja reação instintiva a qualquer tipo de evento importante é alegar que é falso e encenado, não importa o que seja”, disse Rothschild à AFP.
Muitos deles “se fazem passar por especialistas em ciência e física porque, de alguma forma, isso soa mais crível para seus seguidores do que simplesmente aceitar ‘a versão oficial’”.
A tendência ressalta um cenário da internet semelhante ao Velho Oeste, amplamente desprovido de barreiras de proteção, à medida que narrativas falsas corroem a confiança digital. Várias plataformas de tecnologia desmantelaram equipes de confiança e segurança e reduziram a moderação, tornando-as o que os pesquisadores chamam de um viveiro de desinformação.
Para aumentar ainda mais a confusão online, surgiram alegações de que toda a missão Artemis II seria uma farsa impulsionada por ferramentas de inteligência artificial.
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A afirmação ressalta como o surgimento de ferramentas de IA baratas e amplamente disponíveis deu aos propagadores de desinformação um incentivo prático para lançar dúvidas sobre conteúdos autênticos — uma tática que os pesquisadores apelidaram de “dividendo do mentiroso”.
‘Conhecimento secreto’
O turbilhão de falsidades também reforçou uma das teorias da conspiração mais duradouras — a de que a NASA falsificou o pouso na Lua da Apollo 11 em 1969, transmitindo imagens filmadas em um estúdio de Hollywood.
O discurso conspiratório se infiltrou na cultura pop, tornando-se o enredo de filmes como a comédia romântica “Fly Me to the Moon” — em que a personagem de Scarlett Johansson tem a tarefa de falsificar um pouso na Lua —, e algumas celebridades também amplificaram essa alegação.
“O pouso na Lua é um exemplo de uma conspiração que não morre”, disse Timothy Caulfield, especialista em desinformação da Universidade de Alberta, no Canadá, à AFP.
“Essas conspirações são atraentes por uma série de razões, incluindo o fato de estarem ligadas ao fascínio de possuir ‘conhecimento secreto’ ou estar a par de coisas que os outros não sabem.”
Embora fáceis de desmascarar, tais teorias persistem, já que a Artemis II ocorre décadas após as missões lunares anteriores, eventos dos quais a geração atual, acostumada à internet, tem pouca lembrança.
“De muitas maneiras, isso é uma prova de como é difícil para os humanos viajarem à Lua — afinal, fizemos isso de 1968 a 1972, e levou até 2026 para fazermos isso novamente. Isso faz com que muitas pessoas se perguntem se isso realmente aconteceu”, disse o especialista em exploração espacial Francis French à AFP.
“No momento, estamos vendo fotografias e vídeos notáveis da Terra e da Lua… Essas fotos, por si só, deveriam dissipar as dúvidas e mostrar mais uma vez as coisas incríveis de que os seres humanos são capazes.”
