TV Fórum: “Se países tivessem reciprocidade histórica com Cuba, o país sairia fácil dessa crise”, diz Breno Altman

TV Fórum: “Se países tivessem reciprocidade histórica com Cuba, o país sairia fácil dessa crise”, diz Breno Altman


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  • Breno Altman participou da TV Fórum e falou sobre a situação de Cuba.
  • O comentarista afirmou que, se houvesse reciprocidade histórica dos países com Cuba, o país sairia facilmente da crise atual.
  • A declaração aborda a relação internacional de Cuba com outros países.

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (10), o jornalista e analista político Breno Altman cobrou de governos que já foram ajudados por Cuba que tenham reciprocidade histórica com o país para que ele enfrente a crise humanitária e energética imposta pelos Estados Unidos. 

Na análise de Altman, se os países que Cuba já ajudou, ajudassem o país de volta, Cuba “sairia dessa situação fácil”. 

“Eu creio que todas essas atividades de solidariedade são muito eficazes e promissoras para mobilizar a opinião pública. Mas nós temos que entender, no entanto, que embora essa mobilização social seja muito relevante, Cuba só sai do sufoco dessa situação com a mobilização de governos”, afirmou o jornalista. 

Altman acrescenta que a situação de Cuba se configura como um “padrão de dificuldades que não se resolve pela solidariedade social”. Ele destaca que apesar da ajuda de movimentos sociais, sindicatos e partidos, esses grupos não têm capacidade de adquirir petróleo e enviar para Cuba, diferente de governos. 

“Quem resolve esse tipo de situação é a solidariedade de governos. E aí eu tenho que registrar como é volúvel, como é inexistente a gratidão nas relações internacionais. Porque se os países que Cuba já ajudou, ajudassem a Cuba, Cuba sairia dessa situação fácil”, diz Altman. 

O analista relembra a ajuda de Cuba à Angola, à Itália e ao Brasil, por exemplo, em diferentes momentos

“Cuba enviou, ao longo de um certo tempo, mais de 300 mil soldados à Angola durante a Guerra Civil para impedir que a Unita,  que era financiada pelos Estados Unidos e pela África do Sul, vencessem a Guerra Civil e derrubasse o governo do MPLA. Milhares de cubanos, cerca de 103 mil cubanos, morreram na guerra em Angola”, relembra o jornalista. 

“Na pandemia, para quantos países, inclusive países europeus como a Itália, Cuba mandou médicos? Para o Brasil, quantos milhares de médicos aqui estiveram?”, acrescentou Altman. 

O jornalista ainda destacou que Cuba foi o local de refúgio e apoio para diferentes forças políticas da América Latina – que, aliás, hoje ocupam governos – durante ditaduras militares. 

“Isso tem que estar bem claro também. Esses governos, incluindo o brasileiro, não apenas por razões humanitárias, nem principalmente por razões humanitárias, mas por reciprocidade histórica e por defesa da autodeterminação dos povos, têm que ser pressionados para que atuem”, declarou o analista. 

Por fim, Altman analisou que se o Brasil ajudasse Cuba através da produção de petróleo pela Petrobras, cerca de 1% da produção diária da empresa – que é cerca de 2,7 milhões de barris por dia – já ajudaria o país a sair da crise. 

“Claro, a Petrobras tem problemas, as ações da Bolsa de Nova York, as possibilidades de sanções norte-americanas. Todo mundo pode alegar riscos, mas eu pergunto: Cuba fez esse cálculo de riscos quando dos demais países?”, questionou Altman. 

Confira a entrevista completa do jornalista Breno Altman




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