EUA atacam Ilha de Kharg, ‘joia da coroa’ da indústria petrolífera do Irã

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Os Estados Unidos lançaram ataques nesta terça-feira, 7, contra a Ilha de Kharg, mais importante centro de exportação do petróleo do Irã. De acordo com o vice-presidente americano, J.D. Vance, os bombardeios visaram apenas estruturas militares, e não o complexo petrolífero.
“O inimigo americano-sionista lançou diversos ataques contra a ilha de Kharg, e várias explosões foram ouvidas no local”, informou a agência de notícias estatal iraniana Mehr.
De acordo com o site americano Axios, que consultou funcionários do governo americano, Washington atacou “alvos militares”, informação confirmada posteriormente por Vance.
“Íamos atacar alguns alvos militares na Ilha de Kharg, e acredito que o fizemos”, disse o vice-presidente durante discurso em Budapeste, onde faz visita em apoio ao premiê húngaro, Viktor Orbán, antes de eleições no próximo domingo que podem tirá-lo do poder após 16 anos.
De acordo com Vance, não haverá ataques contra estruturas ligadas ao complexo energético do Irã até que a noite desta terça (21h00 em Brasília), prazo limite estabelecido por Donald Trump para que o Estreito de Ormuz seja reaberto. Caso a medida não seja cumprida, o presidente dos Estados Unidos ameaçou baixar “um inferno” sobre o país, com bombardeios a usinas elétricas e pontes. Nesta terça, ele dobrou a aposta, afirmando que “uma civilização inteira morrerá esta noite” se o ultimato for ignorado.
“Não vamos atacar alvos de energia e infraestrutura até que os iranianos apresentem uma proposta que possamos apoiar, ou não apresentem proposta alguma”, disse o vice americano. “As notícias sobre a Ilha de Kharg não representam uma mudança de estratégia, ou qualquer mudança por parte do presidente dos Estados Unidos”, acrescentou.
Potencial invasão
De acordo com a imprensa americana, Washington estuda planos para ocupar ou bloquear Kharg, com o objetivo de obrigar as forças do regime a reabrirem o Estreito de Ormuz, cujo estrangulamento provocou convulsões nos mercados globais de energia. Com apenas 20 km², a ilha é responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano — “a joia da coroa” da indústria local, como definiu Trump —, abastecida por oleodutos provenientes de campos marítimos nos seus arredores. O Irã é altamente dependente da receita proveniente de combustíveis fósseis, e perder um ativo estratégico tão importante certamente seria um baque.
Também por isso, qualquer tentativa de tomar a área deve encontrar resistência feroz, com riscos como a exposição das forças americanas ali presentes a ataques com drones e foguetes iranianos em um espaço geográfico pequeno – o que poderia elevar em muito as baixas dos Estados Unidos no conflito, por ora limitadas a 13. Também embute o alto risco de mais um choque no mercado de energia e, pior, uma ocupação sem prazo para acabar.
Nas últimas semanas, o Pentágono enviou cerca de 2.200 fuzileiros navais para a região, após Trump ter ordenado, no fim de março, um primeiro ataque contra instalações militares em Kharg. Em seguida, 2 mil paraquedistas treinados em infiltração e resposta rápida também foram despachados ao Oriente Médio, levantando a possibilidade de que atuem em uma potencial operação de invasão à ilha.
