Outono começa sob alerta para possível El Niño, mas intensidade do fenômeno ainda é incerta

Outono começa sob alerta para possível El Niño, mas intensidade do fenômeno ainda é incerta


O outono começou oficialmente nesta sexta-feira (20) sob um cenário que mistura a mudança de estação com incertezas no horizonte climático do continente. Depois de um verão marcado por calor persistente e eventos extremos em diferentes partes do país, os próximos meses entram no radar de pesquisadores atentos aos sinais de formação de um possível El Niño, após um ano de neutralidade climática.

Em entrevista ao programa É de manhã, da Rádio Brasil de Fato, o cientista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explicou que o outono é, por definição, uma estação de transição. As manhãs tendem a ficar mais frias, ou menos quentes, mas ainda com resquícios do verão nas primeiras semanas.

“Podemos ter, por exemplo, alguns dias, particularmente no início, temperaturas altas”, pondera Marengo. Segundo ele, a depender da dinâmica do tempo, o período também pode registrar ondas de calor e episódios de chuva intensa, como já ocorreu em março em diferentes regiões do país.

No horizonte mais amplo, os pesquisadores focam no monitoramento do Oceano Pacífico, onde o aquecimento das águas para além do normal desencadeia o fenômeno climático. “O El Niño é um fenômeno de grande escala, um fenômeno mundial”, explica Marengo. “O Pacífico ocupa quase a metade do tamanho da Terra. Então, o que acontece no Pacífico tem impactos não só no Brasil, mas em todo o mundo.”

Segundo ele, o fenômeno ainda não se consolidou e não é possível afirmar se será ou não intenso. “No momento, o El Niño está em fase de desenvolvimento”, afirmou. A situação atual, disse, ainda fica “um pouco entre La Niña e neutralidade”, embora as previsões já apontem para a possibilidade de mudança nos próximos meses. “Estamos basicamente dando indicativos de que pode acontecer.”

“O que nós não podemos dizer agora é se esse El Niño vai ser fraco ou muito forte”, afirmou. “O El Niño está se configurando, mas ainda não chegou a um estado de maturidade”, disse. “Quando chegar a essa maturidade, normalmente é no verão, a partir de setembro, outubro, aí podemos dizer se esse Niño já se configurou, se vai ser forte.”

Na entrevista, ele rejeitou o tom alarmista que costuma aparecer em parte da cobertura sobre o tema. “Eu não posso concordar com declarações que aparecem na imprensa de que vai ser um mega-Niño, um Godzilla-Niño. Ainda é muito cedo para falar da intensidade.”

O que já está no radar para os próximos meses

Quando esse tipo de evento ganha força, o mapa de preocupação já é conhecido no Brasil. Durante a última incidência do El Niño, em 2025, foram registradas temperaturas recorde, secas prolongadas na Amazônia e no Nordeste, altos índices de incêndios florestais e enchentes na região Sul.

Apesar de considerar precoce qualquer previsão nesse sentido, Marengo indicou tendências mais gerais sobre o clima, consequências do aquecimento global, como invernos mais quentes. “Se nós tivermos um Niño da mesma magnitude que o último registrado em 2025, aí sim poderíamos dizer que 2026 e 2027 poderiam ser os novos anos mais quentes”, afirmou. “E obviamente isso traz consequências, particularmente na forma de extremos climáticos e desastres.”



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