‘Preocupação da Copa do Mundo de 2026 é mais política do que futebolística’, afirma Juca Kfouri
Enquanto a guerra no Oriente Médio completa sua quarta semana, o mundo do esporte também sente os reflexos do conflito. Em tentativa de boicote, o Irã, que está sendo atacado pelos Estados Unidos e por Israel, solicitou à Fifa para transferir seus jogos na a Copa do Mundo de 2026 para o México, porém a entidade negou.
“Eu estou olhando para essa Copa do Mundo de 2026 com muito mais preocupação política do que propriamente com expectativa futebolística”, pondera o jornalista Juca Kfouri.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, é o mesmo que, depois que Trump não recebeu o Nobel da Paz, inventou um prêmio da paz para dar a ele. “Isso já diz tudo sobre quem é Infantino e o que se espera da Fifa”, observa Kfouri, no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Nesta quinta-feira, o presidente da Fifa afirmou que a entidade “não pode resolver conflitos geopolíticos” e descartou alterações no calendário ou organização da Copa do Mundo de 2026. Ignorando que os EUA e Israel atacaram o Irã sem qualquer justificativa, Infantino disse que estão “empenhados em usar o poder do futebol e da Copa do Mundo para construir pontes e promover a paz, pois nossos pensamentos estão com aqueles que sofrem como consequência das guerras em curso”.
Kfouri relembra que a Fifa tem vários episódios históricos que comprovam que a entidade sempre apoiou regimes autoritários. “Na Copa de 78, a final foi disputada a 500 metros do maior centro de tortura da Argentina, a Escola da Marinha. João Havelange, ex-presidente, andava de braço dado com ditadores pela África e pela América do Sul. A FIFA sempre foi anticomunista e sempre apoiou países imperialistas.”
O jornalista considera que não há como garantir a segurança de torcedores e jogadores, com uma das sedes da Copa do Mundo de 2026 sendo a principal agressora de outra nação. “Se a FIFA diz que não pode garantir a segurança dos iranianos, como pode garantir a segurança das outras seleções e dos torcedores? Os Estados Unidos, uma das sedes, estão em guerra com o Irã. Israel será um alvo óbvio para atos terroristas. Essa Copa tinha que ser tirada dos Estados Unidos”, afirma.
O tratamento desigual contra países que estão em guerra, pelas entidades esportivas, é evidente em vários casos, o que mostra que não há neutralidade. A Rússia foi banida das Olimpíadas devido à guerra com a Ucrânia, enquanto Israel segue participando dos eventos esportivos. “A FIFA e o COI dizem que são apolíticos, mas são apolíticos quando se trata de um lado e punitivos quando se trata de outro.”
“Nas Olimpíadas de inverno em Milão, um atleta ucraniano foi punido por usar fotos de amigos mortos na guerra no capacete. Um atleta israelense fez propaganda do sionismo e não aconteceu nada. É uma grande hipocrisia”, complementa.
A Copa do Mundo e a seleção brasileira
Sobre a convocação de Carlo Ancelotti, o jornalista elogia as ausências, especialmente a de Neymar. “O Neymar não joga futebol há três anos. Por que levá-lo? Ele é um mau exemplo do ponto de vista do comportamento e tampa a garotada que pode subir. Porque a ‘seleção é do Neymar’ e não será do Vini Jr., do Endrick ou do Estevão. Não tê-lo permite que essa molecada floresça.”
Para a Copa do Mundo de 2026, Kfouri também aponta que “dessa vez o Brasil não vai como uma das seleções favoritas”, alertando que é preciso fazer um bom time e que “falta um grande construtor no meio de campo”.
“Um ataque com Estevão, Vini Jr. e Endrick é de deixar todo mundo de cabelo em pé. Mas falta um grande construtor no meio de campo, mas dá para fazer uma boa defesa, um meio combativo e um ataque espetacular”, detalha.
A polêmica contratação de Cuca pelo Santos
O Santos anunciou, nesta quinta-feira (19), que Cuca será o treinador da equipe até o fim do ano. O técnico de 62 anos substitui o argentino Juan Pablo Vojvoda, demitido após a derrota para o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro.
Condenado pela justiça da Suíça por estupro de vulnerável, há 30 anos, Kfouri relembra que foi um dos jornalistas que mais criticou o Corinthians e o Atlético Mineiro quando o contrataram.
“De lá para cá, Cuca pediu desculpas, disse que entende a gravidade da questão e hoje promove um centro para meninas em Curitiba. Não temos prisão perpétua no Brasil. Ele fez o que eu mais cobrava: um pedido de desculpas às mulheres brasileiras. Agora, vamos examinar o trabalho que ele fará no Santos”, declarou.
A Libertadores e a hegemonia brasileira
Sobre o sorteio da Libertadores, Kfouri aponta o favoritismo brasileiro. “O poderio econômico dos clubes brasileiros é incomparável. Nas últimas seis decisões os, times brasileiros estiveram presentes. E quatro foram finais entre brasileiros. Flamengo, Palmeiras e Fluminense são candidatos ao título. Corinthians, Cruzeiro e Mirassol são azarões, mas esses três podem chegar longe”, afirmou.
Para ele, a eliminação de Botafogo e Bahia na pré-Libertadores tem pesos diferentes. “O Botafogo não me surpreendeu. É vítima de uma SAF safada. O Bahia, não. Tem um grupo sério, mas não cumpriu o que se esperava. Agora, tem Copa do Brasil e Brasileirão. Está bem estruturado e pode surpreender”, avalia.
Kfouri não esconde a paixão pelo Corinthians: “Lingard e Depay vão sair de baixo. O Corinthians vai para o octacampeonato brasileiro, Libertadores, mundial, pagaremos as dívidas. Vamos viver o melhor dos sonhos”. Ponderado pela briga corinthiana na Libertadores, Kfouri é esperançoso: “Eu passei 22 anos sem ver o Corinthians ser campeão. Quando falo do Corinthians, me entusiasmo”, conclui.
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