IP garante que vai cumprir PRR mas admite atrasos após tempestades
Sem dar conta de muitos exemplos, assume que se refere à rodovia e que estão “empenhados”, com as equipas envolvidas nas obras, em “recuperar esse tempo”. “As obras estavam em curso e, nalguns casos até em fase final, mas os troços em obra ficaram completamente alagados”, explica.
O único exemplo que deu foi a variante a Beringel, integrada em obras do IP8 entre Ferreira do Alentejo e Beja. “Aquela zona, perto de Beja, ficou completamente alagada e, portanto, é um dos projetos que teve um impacto temporal”, refere Miguel Cruz, estando a IP a trabalhar para “recuperar esse prazo” e “cumprir aquilo que são os objetivos do PRR”.
A maior parte das obras rodoviárias e ferroviárias pararam na altura das tempestades. Isso aconteceu porque “não havia condições para fazer obra”, mas também porque “recorremos a alguns dos empreiteiros que estavam a trabalhar connosco nalgumas destas obras para nos ajudar nos trabalhos de emergência”.
Com os trabalhos de reparação ainda em curso em 34 estradas nacionais e duas linhas ferroviárias, Miguel Cruz diz que nesta altura não há falta de empreiteiros, entre as obras programadas e as reparações, mas deixa em aberto para o futuro: “Vamos ver como é que as coisas correm durante o ano”.
A Estrada Nacional 243, em Porto de Mós, é a que apresenta o corte mais extenso – são quase 18 quilómetros, entre o km 5.3 e 23,16. O segundo maior é em Manteigas, com a derrocada de um troço na Estrada Nacional 232, entre os quilómetros 49 e 61.
Sobre este caso, o presidente da IP diz que ainda é cedo para apontar uma data, por causa da instabilidade no terreno. Isto depois do autarca de Manteigas, Flávio Massano, ter apontado que a estrada só estaria resposta em 2028, segundo a imprensa local.
IP planeia 1300 inspeções extraordinárias
A gestora rodoviária e ferroviária é responsável por 8200 pontes, túneis e viadutos – também chamadas de “obras de arte”. A estas infraestruturas, Miguel Cruz diz que estão planeadas cerca de 1300 inspeções extraordinárias, incluindo 75 “inspeções subaquáticas”.
“Toda esta informação, adicionalmente, é facultada ao LNEC”, garante, sem que exista “nenhuma situação particularmente complicada a apontar” no trabalho já feito.
Entre todas as avaliações e trabalhos em curso, na primeira entrevista que deu após as tempestades, na RTP, Miguel Cruz fez uma primeira estimativa de 400 milhões de euros, valor que bate certo com o dinheiro que o Governo transferiu para a IP fazer obras de recuperação.
Agora em entrevista à Antena 1, insiste em deixar as contas em aberto: “Não é certo que se vá ultrapassar este valor”, mas sublinha que “isto é evolutivo”.
“Não temos razão nenhuma para fixar ou para sugerir um valor que seja diferente”, sublinha para já.
“Não vejo onde é que isto contradiz o que o ministro disse”
“A Linha do Oeste vai estar no mínimo nove meses parada para toda a sua reconstrução.” Este anúncio foi feito por Miguel Pinto Luz no dia 2 de fevereiro, ainda o comboio de tempestades não tinha terminado.
Pela primeira vez, a IP reconhece que o prazo de nove meses partiu da gestora e recusa que exista qualquer contradição com as palavras do ministro.
“Eu não vejo onde é que isto [a reabertura parcial] contradiz o que o ministro disse”, sublinha Miguel Cruz, apesar da categórica expressão usada “no mínimo nove meses parada para toda a sua reconstrução”.
Miguel Cruz aponta que antes de novembro não será reaberto o troço que falta, mas não se compromete com um prazo claro. Será até ao final deste ano? “Só conseguiremos dar esse horizonte quando tivermos os estudos todos realizados“, responde. Foram já à volta de 20 os locais identificados com deslizamentos de taludes e instabilidade na plataforma da via.
Quanto à Linha da Beira Baixa, mantém-se a previsão de reabertura em seis meses.
