PF diz que CPMI reintroduziu dados após proibição de Mendonça
A Polícia Federal (PF) informou, por meio de nota oficial (leia mais abaixo), ter constatado a “reintrodução” de dados sigilosos no ambiente do Senado Federal, contrariando proibição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Segundo a corporação, durante a perícia e a extração do material obtido no âmbito da CPMI do INSS, a PF verificou que parlamentares acessaram novamente arquivos sigilosos diretamente da “nuvem” de dados.
Na última segunda-feira, Mendonça proibiu a CPMI de acessar dados e objetos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que estavam armazenados na sala-cofre do Senado. O ministro também determinou que a PF retirasse do local qualquer conteúdo relativo à “vida privada do citado investigado”. O STF agora investiga os responsáveis pelo vazamento de informações pessoais de Vorcaro.
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A PF informou ter iniciado a perícia dos equipamentos, a extração dos arquivos e a posterior formatação dos equipamentos contidos na sala-cofre na terça-feira (17). Durante o processo, constatou-se que arquivos contendo fotos e vídeos pessoais do investigado reapareceram no ambiente do Senado. A corporação ainda disse ter informado Mendonça sobre o fato. Até o momento, integrantes do colegiado não comentaram as acusações da PF. A reportagem procurou o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, e aguarda resposta. O espaço segue aberto para manifestações.
Vorcaro é acusado de emitir títulos de crédito fraudulentos em um esquema que teria movimentado entre R$ 12 bilhões e R$ 50 bilhões. Investigações subsequentes apontaram indícios da existência de uma milícia privada destinada a monitorar e silenciar opositores. Após as revelações, o ajudante de Vorcaro, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, tirou a própria vida na prisão.
Confira a íntegra da nota da PF:
A Polícia Federal informa que, em cumprimento à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, nos autos da PET 15.612/DF, realizou a retirada, extração, cópia segura e posterior exclusão dos dados armazenados nos ambientes técnicos do Senado Federal. As medidas foram executadas com rigorosa observância dos protocolos de cadeia de custódia, integridade probatória e segregação de informações sensíveis, nesta terça-feira (17/3).
Durante a ação, foi constatada a reintrodução, no ambiente do Senado Federal, de dados anteriormente excluídos pela Polícia Federal. A medida decorreu de solicitação direta da Presidência da CPMI à empresa Apple. O fato gerou novo fluxo de download e armazenamento dos arquivos, fora do controle inicial da cadeia de custódia estabelecida judicialmente. Os fatos foram devidamente relatados ao ministro relator.
