Vereadora de Olinda busca assinaturas da população para investigar crise da coleta de lixo
A vereadora olindense Eugênia Lima (PT) está realizando uma campanha de coleta de assinaturas junto à população de Olinda em apoio à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) composta por vereadores para investigar a coleta de lixo na cidade. O serviço vive uma crise desde 2025, sentida principalmente nos bairros periféricos. Mas a situação ganhou maior visibilidade durante o Carnaval de 2026, com imagens de foliões tropeçando e agremiações desfilando em meio a montanhas de lixo acumulado nas ladeiras, por falta ou precariedade na coleta.
A vereadora do PT realizou um estudo com dados financeiros, administrativos e ambientais sobre a coleta e tratamento de resíduos sólidos em Olinda desde 2022. Com base no dossiê, propôs ainda em fevereiro a abertura de uma CPI, mas o pedido só tem valor na Câmara Municipal caso obtenha assinaturas de seis dos 17 vereadores da cidade. Sendo a única parlamentar de oposição à atual gestão, Eugênia Lima ainda não alcançou o apoio necessário entre os colegas de câmara, o que a levou a buscar o apoio popular para a investigação.
A meta é reunir pelo menos duas mil assinaturas dos olindenses. Para tanto, tem distribuído panfletos com informações sobre o serviço, acompanhados de um código QR que direciona para o formulário digital através do qual o cidadão e cidadã podem assinar em apoio à CPI do lixo e também enviar fotos dos pontos de acúmulo nos bairros. “A abertura de uma CPI é um instrumento legítimo da Câmara para esclarecer as responsabilidades e buscar soluções para este problema que tem afetado diretamente a saúde pública e a qualidade de vida da população em Olinda”, diz Eugênia.
A vereadora pontua que a gestão da prefeita Mirella Almeida previu, para 2025, gastar R$ 35,4 milhões na coleta de lixo, mas acabou atrasando pagamentos ao longo do ano, resultando em pendências para 2026. Em agosto de 2025, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) emitiu alerta apontando uma dívida superior a R$ 2 milhões da gestão de Olinda com a empresa Central de Tratamento de Resíduos Ltda (CTR Candeias). Os impactos ambientais decorrentes deste quadro, ainda segundo o estudo da vereadora, incluem obstrução de canais de drenagem e contaminação de lençóis freáticos.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Olinda, apresentando questionamentos sobre a insuficiência na coleta de lixo em 2025 e 2026. Até o momento, não fomos respondidos. Tão logo a gestão entre em contato, traremos a resposta para o texto.
