“Vi a morte de perto”: mulher trans é torturada e marcada com suástica em MS

“Vi a morte de perto”: mulher trans é torturada e marcada com suástica em MS


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  • Mulher trans de 29 anos foi torturada e teve a pele marcada com suástica nazista com faca quente em Ponta Porã (MS) no sábado (14).
  • Os agressores foram o namorado da vítima e o casal de patrões para quem ela trabalhava; o flagrante foi convertido em prisão preventiva.
  • A vítima sofreu agressões físicas, including socos, joelhadas e golpes com taco de sinuca, e precisará de pelo menos três cirurgias.
  • Após ser ameaçada de morte caso denunciasse, a mulher pediu ajuda na rodoviária e foi levada ao hospital; o caso segue em investigação.

No sábado (14), uma mulher trans de 29 anos foi vítima de uma sessão de tortura, ameaçada de morte e teve a pele marcada com uma suástica nazista feita com uma faca quente em um crime de ódio cometido na cidade de Ponta Porã (MS).

As pessoas acusadas pelo crime foram levadas à delegacia local no domingo (15) e tiveram o flagrante convertido em prisão preventiva. Os agressores seriam o próprio namorado da vítima e e o casal de patrões para quem ela trabalhava.

Em depoimento, a vítima relatou que havia acabado de reatar o relacionamento com o namorado, quando foi chamada pela patroa para ir até a casa do casal receber o pagamento por serviços de faxina e corte de grama. Ao entrar no escritório da residência para receber o dinheiro, a mulher encontrou o namorado e o patrão.

Ao perceber a emboscada, tentou fugir, mas foi golpeada pelas costas. A partir daí, sofreu uma sequência de agressões covardes. “Eles deram vários socos na minha cara, cotovelada, joelhada, murro no meu estômago, me bateram com um taco de sinuca, me bateram com um cabo de vassoura”, relatou a jovem ao G1.

Os agressores usaram uma faca quente para queimar o braço da vítima com o formato de uma suástica, símbolo do nazismo. Enquanto ela implorava por misericórdia, os torturadores debochavam. “Parece que estavam todos endemoniados. Ficavam dando risada”, relembrou.

Marcas físicas e psicológicas

Após ser liberada sob ameaças de morte caso denunciasse o crime, a mulher conseguiu pedir ajuda na rodoviária e foi levada ao hospital. Ela precisará de pelo menos três cirurgias, incluindo intervenções na cabeça e um enxerto de pele para remover a marca de seu corpo.

“Nem tenho tatuagem no corpo e eu sou marcada por uma maldade humana que fizeram comigo. Eu tô com muita dor, tá tudo pesado pra mim. Eu não consigo dormir direito, eu fico apavorada, tenho pesadelo”, conta ela ao G1, afirmando que vai seguir tratamento psicológico.

Na delegacia, o patrão alegou que teria havido apenas uma “discussão acalorada” entre a vítima e o namorado e que ele e a esposa apenas teriam tentado separar a briga. Contudo, ele não comentou a respeito da queimadura em forma de suástica no braço da funcionária. O caso segue sob investigação da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM).

Estrutura de ódio

Em seu perfil no X (ex-Twitter), a deputada federal Erika Hilton falou sobre o episódio, apontando que “esse o resultado da estrutura de ódio construída para torturar, silenciar e matar mulheres trans, mulheres negras, mulheres indígenas, mulheres mães, mulheres lésbicas, mulheres brancas, mulheres jovens, mulheres velhas e meninas”.

“Quantas de nós, após apanharmos, já não fomos marcadas com a promessa de que, se abríssemos a boca, a dor seria ainda maior? Quantas de nós já não fomos eternamente marcadas pela violência de quem nos deseja e nos odeia? Quantas de nós já não denunciamos, não por coragem, mas por ser a única opção frente a um mundo inteiro contra a gente?”, questionou. “Enquanto isso, parte do Brasil celebra a transfobia, a misoginia, a LGBTfobia e o ódio transmitido nas nossas telas e pelas bocas daqueles que deveriam trabalhar pela vida e dignidade de todas as pessoas.”

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