Dirceu diz que Lula não pode ser mais ‘Lulinha paz e amor’, ataca Flávio e lança jingle de campanha
Ex-ministro da Casa Civil celebra 80 anos em Brasília ao lado de petistas e políticos de vários partidos e pede cautela com discurso de combate à corrupção
BRASÍLIA – Ao som de um jingle de campanha em estilo sertanejo, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu convocou o PT a ir às ruas para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e impedir o que chamou de “risco” para o País. Em um restaurante do Lago Sul de Brasília para comemorar os seus 80 anos, Dirceu disse que a campanha deste ano será “de combate” e pregou uma “revolução” política e social.
“Nós temos que dizer claramente para o povo brasileiro: esta não é uma campanha do Lulinha paz e amor. Esta vai ser uma campanha que nós temos de conquistar a maioria do povo brasileiro”, insistiu.
Dirceu afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, é “golpista como o pai”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e conclamou o PT a conter o avanço do rival. “O Brasil governado por ele será governado pelo Trump e pelos interesses dos Estados Unidos”, destacou Dirceu, numa referência ao presidente dos EUA, Donald Trump. “O que está em jogo é a soberania do Brasil”.
Ministros do governo Lula e parlamentares de vários partidos – da esquerda à direita, passando pelo Centrão – compareceram à festa para prestigiar Dirceu. Cassado em 2005 pela Câmara, o ex-ministro vai disputar uma cadeira de deputado federal em outubro, 21 anos após ter o nome envolvido no escândalo do mensalão e ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Quero ajudar o presidente Lula”, disse ele para os convidados, nas rodas de conversa.
A uma plateia formada, em sua maioria, por miilitantes do PT, o ex-ministro voltou a pregar a mobilização dos companheiros. “Não é pouca coisa que está em risco”, argumentou. Dirceu também pediu cautela com a entrada de aventureiros na disputa. “É verdade que é preciso ir a fundo no caso do Master e do INSS, mas é preciso lembrar do Jânio Quadros, do Collor e do Bolsonaro. A ditadura foi dada em nome da luta contra a corrupção em primeiro lugar, depois a subversão”, observou. “A pretexto de combater a corrupção, querem roubar de nossos mãos o projeto de desenvolvimento nacional”.
Diante de um painel vermelho com os dizeres “Parabéns, Zé Dirceu”, o ex-chefe da Casa Civil ficou mais de uma hora posando para fotos e recebendo cumprimentos. Na lista dos que apareceram para abraçá-lo estava o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento Geraldo Alckmin, que não quis falar de política.
“Vamos comemorar o aniversariante”, esquivou-se, em conversa com jornalistas. “Meu pai já dizia que juntar letrinhas é uma arte”.
Um telão instalado no salão de festas do restaurante exibiu momentos mais marcantes da trajetória de Dirceu, chamado ali de “estrategista de alto escalão, respeitado até por adversários”, e “articulador brilhante”. Enquanto isso, o jingle da campanha tocava alto o refrão: “Eu e você/Você e eu/’Tamos’ do seu lado, Zé Dirceu”. E a festa rolava com “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”…
