André Mendonça proíbe CPMI do INSS de acessar dados de Vorcaro
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- O ministro do STF André Mendonça proibiu a CPMI do INSS de acessar dados pessoais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso por fraude, determinando que a PF retire equipamentos da sala da comissão.
- A decisão visa preservar a vida privada dos investigados e ocorre após vazamento de conversas íntimas de Vorcaro.
- O celular de Vorcaro revelou que o senator Flavio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) estavam na lista de contatos do banqueiro.
- A agenda do celular também inclui políticos como Michel Temer, Claudio Castro e ACM Neto, além de empresários como Joesley Batista e Luciano Huck.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça decidiu nesta segunda-feira (16) proibir a CPMI do INSS de acessar o dados pessoais de Daniel Vorcaro, dono Banco Master preso por fraude bancária, que estão na sala-cofre da Comissão.
Em sua determinação, André Mendonça afirma que a sua decisão tem por objetivo “preservar a vida privada dos investigados”.
Com a decisão de Mendonça, a Polícia Federal (PF) terá de retirar todos os equipamentos armazenados na sala da CPMI. Além disso, o ministro também determinou que todo o conteúdo relacionado à vida privada de Vorcaro não seja compartilhado com a CPMI do INSS.
A decisão de André Mendonça ocorre após conversas íntimas de Daniel Vorcaro com sua namorada terem sido vazadas.
Contato de Flávio Bolsonaro é achado no celular de Vorcaro na CPMI do INSS
O cerco em torno das conexões políticas do Banco Master se fechou ainda mais nesta segunda-feira (16). Documentos explosivos entregues à CPMI do INSS revelam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) figura na lista de contatos do celular de Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro pivô de uma investigação sobre megafraudes que abalaram o sistema previdenciário e financeiro do país. Um novo contato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), outro bolsonarista de peso, também foi localizado.
A descoberta coloca os dois principais expoentes do bolsonarismo em uma posição desconfortável dentro do colegiado, especialmente Flávio, que já movimenta as peças no tabuleiro político para uma eventual candidatura à Presidência da República. A presença de seus nomes no aparelho de Vorcaro sugere uma óbvia proximidade com o milionário que vai além das relações institucionais comuns em Brasília.
O “segredo de polichinelo” e a carona aérea
Pressionado pela revelação, Flávio Bolsonaro negou veementemente qualquer relação com o dono do Master. O senador adotou uma estratégia defensiva clássica, minimizando o achado. “O número do meu telefone não é propriamente um segredo”, justificou, insinuando que seu contato pode ter sido repassado a Vorcaro por terceiros sem o seu consentimento ou ciência.
Já o deputado Nikolas Ferreira admitiu a possibilidade de o contato ter existido, embora afirme não se recordar de conversas ou encontros. Nikolas apontou uma conexão comum: o pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha. O parlamentar reconheceu que já viajou em um avião pertencente a Vorcaro, mas alegou que, na ocasião, desconhecia quem era o proprietário da aeronave. “Tenho certeza de que nenhuma eventual mensagem ou conversa era sobre lista de pagamentos ou contratos”, assegurou o deputado mineiro.
Uma agenda de “quem é quem” no poder
O celular de Daniel Vorcaro revelou-se um verdadeiro guia de influência e poder no Brasil. Além da cúpula do PL, a lista de contatos do banqueiro atravessa o espectro político bolsonarista e o ramo empresarial. Estão registrados nomes como o do ex-presidente Michel Temer e do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A agenda de Vorcaro também contempla:
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Políticos: O governador do Rio, Cláudio Castro (PL-RJ); o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil) — que já prestou assessoria ao banqueiro — e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.
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Empresários e Mídia: Joesley Batista, com quem mantinha amizade; Nelson Tanure, parceiro de negócios, e até o apresentador de TV Luciano Huck.
Para os investigadores da CPMI, a onipresença de Vorcaro em círculos tão distintos reforça a tese de que o banqueiro utilizava uma vasta rede de contatos para sustentar as operações agora sob suspeita. A comissão agora deve focar no cruzamento de dados para entender se esses contatos resultaram em facilidades operacionais para o Banco Master ou se serviram para blindar o esquema que é alvo do inquérito parlamentar.
