Estudante concilia curso de medicina com atletismo profissional
A estudante de medicina Felicia Pasadyn, de 23 anos, tem chamado atenção nas redes sociais por conciliar duas rotinas extremamente exigentes: a formação médica e a carreira como corredora profissional. Natural de Cleveland, nos Estados Unidos, ela treina diariamente antes do amanhecer enquanto se prepara para se formar na Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova York, com previsão de graduação em maio de 2026.
Apaixonada por esportes desde a infância, Felicia começou no atletismo inspirada pelas três irmãs mais velhas. Após o ensino médio, dedicou-se à natação na Universidade de Harvard, onde cursou biologia integrativa em um programa acelerado de bacharelado e mestrado, concluído em 2023 na Universidade Estadual de Ohio.
Ao se mudar para Nova York para estudar medicina, ela passou a buscar formas de se integrar à comunidade de corrida da cidade e começou a participar de provas organizadas pela New York Road Runners, incluindo a tradicional United Airlines NYC Half. Foi nesse período que decidiu levar a corrida mais a sério.
“Quando me mudei para Nova York, comecei a participar de corridas e percebi que conseguia conciliar melhor do que imaginava a medicina com o treinamento”, contou à revista People. Em meados de 2024, ela estabeleceu duas metas ambiciosas: se classificar para as seletivas olímpicas e se tornar corredora profissional.
O objetivo se concretizou em 2025, quando Felicia assinou contrato com a empresa de equipamentos esportivos Saucony e passou a receber salário como atleta profissional.
Rotina planejada
Conciliar as duas carreiras exige disciplina extrema. Durante o período de preparação para se classificar para as seletivas olímpicas, Pasadyn trabalhava simultaneamente em um rodízio na unidade de terapia intensiva cirúrgica (UTI) enquanto mantinha uma rotina intensa de treinos.
Ela acorda por volta das 4h da manhã para correr na esteira ou no Central Park, muitas vezes estudando ao mesmo tempo. Em seguida, faz cerca de 40 minutos de exercícios no StairMaster e mais 30 minutos de musculação.
Depois do treino, se arruma rapidamente para chegar ao hospital por volta das 7h, horário em que começa seu turno. O trabalho costuma ir até as 16h, quando ela ainda encontra tempo para estudar, caminhar ou conversar com amigos e familiares. À noite, costuma dormir por volta das 19h30 para garantir cerca de nove horas de descanso.
“Aprendi desde cedo que dormir bem, ter rotina e planejamento são essenciais para administrar o tempo”, explica. Durante os treinos, ela também aproveita para revisar conteúdos médicos, ouvir podcasts educacionais e estudar cartões de memorização.
Resultados nas pistas
O esforço tem rendido resultados. Em novembro de 2025, Felicia terminou em 14º lugar geral entre as mulheres na Maratona de Nova York, com o tempo de 2h35min, garantindo classificação para as seletivas olímpicas da maratona nos Estados Unidos.
Mesmo com a carreira esportiva em ascensão, a jovem também se prepara para outra etapa importante da vida: a residência médica. No chamado “Match Day”, em março, ela descobrirá onde fará sua especialização após a formatura.
Seu plano é seguir na radiologia, programa que pode durar cerca de cinco anos e exige uma carga intensa de trabalho. Por isso, ela já considera adaptar o tipo de provas que disputa. “Talvez eu me concentre mais em corridas de 5 km, 10 km e meia maratona durante a residência, e depois volte às maratonas”, afirmou à revista norte-americana.
Caminho incomum
Felicia acredita que pode ser uma das poucas atletas profissionais que também seguem carreira médica. Segundo ela, essa dupla jornada faz com que sua preparação seja muito diferente da de outras corredoras de elite, que muitas vezes treinam em centros de altitude e contam com equipes completas de apoio.
“A vida delas é muito diferente da minha. Muitas têm pessoas preparando as refeições e cuidando da recuperação física. Eu estou aprendendo procedimentos médicos e atendendo pacientes”, diz.
Mesmo assim, a estudante afirma que pretende continuar perseguindo as duas paixões. “Estou abrindo meu próprio caminho e tentando encontrar equilíbrio”, resume.
