Já condenado à prisão, Sarkozy volta a ser alvo de novo julgamento na França

Já condenado à prisão, Sarkozy volta a ser alvo de novo julgamento na França



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O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy deve retornar ao tribunal nesta segunda-feira, 16, para enfrentar um novo julgamento por alegações de conspiração para financiar ilegalmente sua campanha de 2007 com fundos da ditadura líbia, então liderada por Muamar Kadafi. O caso surge poucos meses após ele ser condenado a cinco anos de prisão por conspiração criminosa, relacionada ao mesmo esquema, tornando-se o primeiro ex-mandatário de um país da União Europeia a parar atrás das grades.

Sarkozy, 71, que liderou um governo de direita na França entre 2007 e 2012, nega qualquer irregularidade.

O novo julgamento do Tribunal de Apelação de Paris ocorre enquanto o ex-presidente aguarda em liberdade o desfecho do recurso contra a condenação do ano passado. Após 20 dias em uma prisão parisiense, que ele descreveu como “exaustivos” e um “pesadelo”, Sarkozy recebeu liberdade condicional em novembro e publicou um livro sobre o período encarcerado. Ele ficou em confinamento solitário para sua própria segurança, em uma cela individual de cerca de 9 metros quadrados com chuveiro e banheiro privativos.

Nas audiências do ano passado, a promotoria acusou Sarkozy de ter feito um acordo com Kadafi em 2005, quando era ministro do Interior, para obter fundos para sua bem-sucedida candidatura à presidência em 2007. Em troca, teria prometido apoio ao então isolado regime líbio no cenário internacional. Embora tenha sido considerado culpado de conspiração criminosa relacionada ao esquema, foi absolvido de outras três acusações: corrupção, uso indevido de fundos públicos líbios e financiamento ilegal de campanha eleitoral.

Desta vez, Sarkozy volta a enfrentar todas as quatro acusações em um novo julgamento de apelação, após ele ter entrado com um recurso contra sua condenação e o Ministério Público francês ter recorrido das três absolvições no caso passado. Se condenado, o ex-líder pode pegar até 10 anos de prisão. Um total de 10 pessoas serão julgadas neste caso.

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Acusações bem conhecidas

Ao longo de 2025, o tribunal ouviu que, em troca do dinheiro para a campanha de Sarkozy, o regime líbio solicitou favores diplomáticos, jurídicos e comerciais, e entendia que Sarkozy reabilitaria a imagem internacional de Kadafi. O ditador líbio, cujo mandato de 41 anos foi marcado por violações dos direitos humanos, estava isolado internacionalmente devido à ligação de seu regime com o terrorismo, incluindo o atentado de Lockerbie, na Escócia, em 1988. (No episódio, um Boeing da companhia Pan Am, que partiu de Londres com destino a Nova York, explodiu no ar acima da cidade escocesa, matando 270 pessoas.)

Os promotores também acusaram membros do círculo próximo de Sarkozy de se encontrarem com membros do regime de Kadafi na Líbia em 2005. Logo após assumir a presidência, em 2007, o líder francês convidou o líbio para uma longa visita de Estado a Paris, durante a qual montou sua tenda beduína nos jardins próximos ao Palácio do Eliseu.

Quatro anos depois, Sarkozy colocou a França na vanguarda dos ataques aéreos liderados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra as tropas de Kadafi, que ajudaram os rebeldes a derrubar seu regime. O ditador foi capturado e morto em outubro de 2011.



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