Cuba investiga protestos contra apagões causados por estrangulamento energético dos EUA
O Ministério do Interior cubano disse neste sábado (14) que investiga o ataque cometido por um grupo de pessoas à sede do Partido Comunista na província de Ciego de Ávila, a cerca de 460 quilômetros de Havana, segundo o jornal local Invasor. O protesto teria sido contra os prolongados apagões e a falta de alimentos causados pelo estrangulamento econômico e energético dos Estados Unidos contra Cuba.
“O que começou pacificamente, e após uma troca de palavras com as autoridades locais, escalou para vandalismo contra a sede do Comitê Municipal do Partido. Um grupo menor de pessoas atirou pedras na entrada do prédio e ateou fogo na rua, queimando móveis da recepção”, disse o jornal.
“Relatórios preliminares, baseados em publicações nas redes sociais, indicavam que outros estabelecimentos também foram danificados, incluindo uma farmácia e uma loja da rede Tiendas Caribe. Até o momento desta reportagem, cinco pessoas haviam sido detidas e outra, que caiu sob efeito de álcool, estava sendo atendida no Hospital Geral Universitário Provincial Capitán Roberto Rodríguez.”
“Forças especializadas do Ministério do Interior continuam a investigação para esclarecer o ocorrido, e o Invasor manterá o público informado.”
Insuflando desde Miami
Presente em Cuba, a brigada do MST leva a solidariedade do movimento popular ao povo cubano. Um dos coordenadores da missão, Marcelo Durão, explicou ao Brasil de Fato que os protestos da noite passada “não correspondem à forma cubana de se posicionar”.
“Os cubanos dão imenso valor a espaços públicos, que são espaços do povo”, explica.
Durão diz que o estrangulamento de Washington traz problemas reais ao cotidiano das pessoas, “que cada vez mais sofrem com períodos sem energia”.
“Sem luz, você também pode tem um problema do abastecimento hidráulico, porque todo o transporte de água em Cuba é feito também a partir de motores, bombas elétricas. Outra questão, que também que foi o motivo da mobilização, é a dificuldade de transporte dos alimentos, por não ter combustível para os caminhões, o deslocamento da produção.”
O brigadista explica que essa insatisfação legítima é capitalizada por pessoas de fora do país que tentam desestabilizar o governo de Miguel Díaz-Canel. “Há a atuação de grupos que vivem em Miami e insuflam mobilizações contrarrevolucionárias. Há youtubers, a rádio e TV Marti, entre outros”, diz ele.
Ataque econômico e energético de Washington
Cuba, com 9,6 milhões de habitantes, enfrenta uma forte crise econômica, agravada pela brusca suspensão, em janeiro, do fornecimento de petróleo pela Venezuela, após o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, e o bloqueio petrolífero que Washington impõe à ilha.
À medida que se agrava a escassez de combustível e de produtos básicos, e se prolongam os cortes de eletricidade, muitos cubanos expressam seu descontentamento público com protestos noturnos, que na maioria dos casos se reduzem a panelas batidas na via pública ou do interior de suas casas.
Na sexta-feira, o presidente do país, Miguel Díaz-Canel, afirmou que Cuba está atravessando uma das mais graves crises energéticas de sua história recente. “Já se passaram mais de três meses desde que qualquer carregamento de combustível entrou em nosso país, e estamos trabalhando em condições muito adversas que estão tendo um impacto imensurável na vida de todo o nosso povo” disse ele.
O correspondente do Brasil de Fato em Havana, Gabriel Vera Lopes explicou que “Cuba tem uma história de enfrentar situações muito difíceis. O povo e o Estado têm uma fortaleza construída em décadas de bloqueio. Isso não significa que não haja sofrimento, mas significa que há estratégias, há organização, há uma determinação de seguir em frente.”
“O bloqueio energético é a arma mais cruel neste momento. Rompê-lo é vital. Enquanto isso não acontece, a solidariedade internacional e a criatividade popular são o que mantêm o país de pé.”
