Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos
Morreu neste sábado (14/3), aos 96 anos, o filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas. Segundo a editora Suhrkamp Verlag, que fez o anúncio com autorização da família, Habermas morreu em casa na cidade de Starnberg, região de Munique.
Nascido em Düsseldorf em 1929, Habermas é amplamente considerado um dos mais importantes pensadores da Alemanha e um dos filósofos e sociólogos contemporâneos mais lidos e influentes em todo o mundo. Ele foi o principal expoente da segunda geração da Escola de Frankfurt e deu novos contornos à Teoria Crítica desenvolvida por intelectuais como Max Horkheimer e Theodor Adorno.
Habermas lançou sua última obra em 2024 e manteve-se ativo até seus anos finais
Entre 1949 e 1954, Habermas estudou Filosofia, História, Psicologia, Literatura Alemã e Economia nas cidades de Göttingen, Zurique e Bonn. Ao longo de sua vasta carreira acadêmica, lecionou em instituições de prestígio, como as universidades de Heidelberg e Frankfurt am Main, na Alemanha, e a Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos.
O acadêmico também atuou como diretor do Instituto Max Planck para o Estudo das Condições de Vida do Mundo Científico-Técnico, em Starnberg.
O agir comunicativo
A obra central do autor é a Teoria do Agir Comunicativo (“Theorie des kommunikativen Handelns“), publicada originalmente em 1981. O trabalho faz uma crítica à razão meramente instrumental e técnica e apresenta a ideia de que a linguagem é o meio privilegiado da racionalidade e da vida social.
“Habermas foi um dos mais importantes filósofos do Direito do século XX e início do século XXI”, afirma Otávio Luiz Rodrigues Jr., professor de Direito Civil da Faculdade de Direito da USP.
“Ele ajudou a formular conceitos essenciais para a Teoria e a Sociologia do Direito como o patriotismo constitucional e ação pública. As Ciências Humanas perderam um gigante”, completou.
Habermas se destacou fortemente na Alemanha e no exterior por formular teorias baseadas na formação da vontade democrática e no “discurso livre de dominação”. Em sua obra, ele defende a busca por consenso a partir da discussão não corrompida pela violência, em que prevalece exclusivamente o poder do melhor argumento.
Com um trabalho que acompanhou e pautou inúmeros debates sociais e políticos contemporâneos, as obras de Habermas ganharam ressonância global e foram traduzidas para mais de 40 idiomas. Sua forte ligação com a editora Suhrkamp fez com que o seu trabalho “Conhecimento e Interesse” (“Erkenntnis und Interesse“) inaugurasse a série de publicações científicas de bolso da empresa no ano de 1973.
O filósofo se manteve ativo na escrita e nas discussões públicas até o fim da vida. Em 2019, publicou um de seus últimos grandes trabalhos, a obra monumental de dois volumes “Também uma História da Filosofia” (“Auch eine Geschichte der Philosophie“) e, no outono de 2024, lançou seu último livro: “Es musste etwas besser werden“, que reúne conversas entre Habermas, Stefan Müller-Doohm e Roman Yos.
