China: uma ilha de estabilidade num mundo em caos
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- A China realizou suas Duas Sessões anuais, definindo a estratégia governamental para 2025 e lançando o 15º Plano Quinquenal.
- O novo plano visa alcançar a Segunda Meta Centenária até 2049, focando na redução de desigualdades e na prosperidade comum.
- O plano também prevê a transição para Forças Produtivas de Nova Qualidade, movendo a economia de setores industriais para setores inteligentes e de alto valor agregado.
- No cenário internacional, a China mantém diplomacy baseada em respeito mútuo e multilateralismo, em contraste com os conflitos envolvendo EUA e Israel no Irã.
Poucos dias após o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, a China deu início às suas Duas Sessões anuais, os mais importantes fóruns políticos do país. Neste ano, esses encontros não apenas definiram a estratégia e as metas para o próximo ano, mas também lançaram o 15º Plano Quinquenal.
Enquanto os EUA investem em guerras, a China investe em infraestrutura e na melhoria das condições de vida do seu povo. Enquanto os EUA interferem nos assuntos internos de outras nações, a China pratica uma diplomacia baseada no respeito mútuo e na igualdade. E enquanto os EUA exercem o hegemonismo e violam o direito internacional, a China promove o multilateralismo e defende o papel central da ONU como mediadora dos conflitos globais.
As Duas Sessões deste ano delinearam não apenas o trabalho do governo para o ano corrente, mas também o próximo Plano Quinquenal. Num mundo em rápida transformação, repleto de instabilidade e conflitos, há uma enorme falta de previsibilidade, exceto na China, onde a estabilidade e o planejamento de longo prazo são as bases de um futuro promissor.
Planejamento Estatal
Muitos especialistas enfatizam que todo o sistema econômico e de governança da China depende do planejamento estatal. As Duas Sessões são o exemplo mais cabal disso: ali, representantes de diferentes regiões e setores da sociedade debatem propostas e fixam os objetivos.
Consequentemente, todos os setores, incluindo empresas privadas e organizações sociais, contribuem para que as metas sejam alcançadas. Tomemos como exemplo as Duas Metas de Carbono: elas estabelecem que a China atingirá o pico das suas emissões de carbono até 2030 e a neutralidade carbônica até 2060.
Após o anúncio destas metas, todas as organizações do país se mobilizaram: fábricas investem em redução da poluição, instituições científicas realizam pesquisas relacionadas, etc. Cheguei a visitar uma escola onde os alunos, sob a orientação dos professores, investigaram as emissões de carbono da própria instituição e elaboraram um plano para reduzi-las e compensá-las para terem um campus neutro em carbono.
Uma vez definidos os objetivos e o caminho para atingi-los, os líderes chineses coordenam o financiamento dos projetos e o trabalho em si. Isto difere fundamentalmente do sistema de governança das democracias liberais, onde o planejamento de longo prazo é dificultado pela incerteza quanto ao futuro.
Assim, enquanto na China o governo consegue planejar a longo prazo e criar um ambiente estável para investimentos e negócios, nos países ocidentais os planos governamentais podem sofrer alterações drásticas conforme mudam os líderes, dificultando a continuidade de projetos de longo prazo e a criação de um ambiente de negócios estável e previsível.
O 15º Plano Quinquenal
A agressão dos EUA e de Israel contra o Irã reforçou, em muitos, a perceção de que o presidente norte-americano, Donald Trump, não tem uma estratégia para resolver os problemas socioeconômicos do seu país e recorre à retórica do inimigo externo para fingir que está resolvendo tais problemas.
Esta guerra e outras em curso contrastam fortemente com as Duas Sessões na China: enquanto os líderes das potências ocidentais só falam em guerra, o país asiático debate desenvolvimento, melhoria da vida das pessoas e construção de um futuro melhor.
O 15º Plano Quinquenal desempenhará um papel fundamental na concretização da Segunda Meta Centenária – construir um país socialista moderno, que é próspero, forte, democrático, culturalmente avançado e harmonioso, até 2049, quando será celebrado o centenário da República Popular da China. Agora que o povo chinês se libertou da pobreza, o novo desafio social é reduzir a desigualdade e garantir prosperidade comum a todos os chineses.
Na esfera econômica, a China promoverá o desenvolvimento das Forças Produtivas de Nova Qualidade, direcionando o foco da indústria chinesa para setores ligados ao futuro, de elevada complexidade e alto valor agregado. Isto marcará a transição de uma economia industrial para uma economia inteligente.
No campo do desenvolvimento social, o país encontra-se num momento crucial para a realização da Segunda Meta Centenária, caracterizada pela redução das desigualdades sociais e pelo aumento do bem-estar da população. A revitalização rural e o aperfeiçoamento de políticas que incentivem as famílias chinesas a terem mais filhos são temas particularmente importantes que requerem atenção.
Para sustentar a melhoria da qualidade de vida de uma população tão vasta, a China precisará de utilizar sabiamente os seus recursos naturais e desenvolver um modo de vida sustentável. Com esse fim, o país promove o Novo Conceito de Desenvolvimento, baseado no antigo conceito chinês de harmonia entre o ser humano e a natureza.
Relações Exteriores
Quando o Irã decidiu fechar o Estreito de Ormuz, a China manifestou-se contra e o os iranianos acabaram concordando em permitir que navios chineses transitassem livremente pelo estreito. Isto demonstra que os problemas entre países podem ser resolvidos por meio de negociações amigáveis, em vez de ameaças e imposições.
A China trata todos os países com igualdade, evita tomar partido em conflitos internacionais, e apela a que as disputas sejam resolvidas pela diplomacia, e não pela guerra. Desta forma, a China evidencia o seu genuíno compromisso com a paz global.
Para além de uma forma coerente de defender a paz através de palavras e atos, a China também cria perspetivas de desenvolvimento que, por sua vez, geram oportunidades para todo o mundo. Há pouco tempo, a China anunciou tarifa zero sobre a importação de produtos africanos para ajudar o continente a se ddesenvolver.
O crescimento do mercado interno chinês e a elevação do nível de vida dos chineses resultaram num aumento das importações de países próximos e distantes. Além disso, a China financia a construção de infraestruturas e desenvolve colaborações multilaterais com outros países, visando o benefício mútuo.
A China propõe também um modelo de cooperação internacional que respeita as escolhas de cada país e cria perspetivas de um futuro melhor. Além disso, este modelo não se limita às relações diplomáticas, mas abrange uma cooperação abrangente que visa satisfazer os interesses de todos.
A partir da sabedoria chinesa antiga, os chineses aprenderam que a construção de relações harmoniosas é essencial para se criar um ambiente favorável à paz, ao desenvolvimento e ao progresso.
Numa época repleta de conflitos que ameaçam a ordem internacional e de hegemonismo que visa substituir o diálogo, as Duas Sessões mostram que existe um caminho alternativo: o do desenvolvimento pacífico, da cooperação econômica e da resolução de disputas por meio da consulta amigável.
A China usa sua importância econômica não para impor sua vontade a outros países, mas para construir pontes e fomentar a confiança entre os povos.
Ao agir assim, a China tornar-se uma ilha de estabilidade num mundo caótico, provando que colocar as necessidades das pessoas no centro da formulação de políticas é condição necessária para a construção de um mundo mais justo e pacífico para todos os povos.
