Bolsonarista convida “Japonês da Federal”, preso por contrabando, para “compliance” em seu governo
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- Abílio Brunini (PL), prefeito de Cuiabá, anunciou a contratação de Newton Hidenori Ishii, ex-policial federal conhecido como “Japonês da Federal”, como secretario-adjunto de compliance.
- Ishii foi preso em 2016 para cumprir pena de 4 anos e 2 meses por facilitação de contrabando na fronteira com o Paraguai, crime pelo qual foi condenado em 2003 na Operação Sucuri.
- Durante a Lava Jato (2014-2016), Ishii ganhou visibilidade nacional ao escoltar investigados e condenados, tornando-se personagem da operação e meme nas redes sociais.
- Brunini afirmou que o ex-agente vai implementar “boas práticas de transparência” em sua gestão na prefeitura de Cuiaba.
Em mais uma tentativa de lacrar nas redes sociais, o bolsonarista Abílio Brunini (PL) anunciou pelo seu perfil no Instagram a contratação do ex-policial federal Newton Hidenori Ishii, que ficou conhecido como “Japonês da Federal” e foi preso em 2016 pelo crime de facilitação do contrabando na fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu.
Ishii vai atuar como secretário-adjunto na prefeitura de Cuiabá, comandada por Brunini, que afirmou que o ex-agente vai fazer um serviço de compliance em seu governo.
O neologismo, importado do inglês to comply, ganhou espaço em grandes empresas mundo afora como uma prática para se criar “padrões éticos” nas corporações para minimizar riscos, evitar fraudes e proteger sua reputação.
Ao falar da contração, importada de Curitiba, no Paraná, o bolsonarista lembrou da atuação do agente na Lava Jato e sinalizou o trabalho que fará na administração.
“O Newton é um profissional que entende muito de compliance, a experiência e o currículo dele dentro da Polícia Federal e dentro do conhecimento que ele tem, ele vai nos ajudar muito a instalar instalar boas práticas de transparência e acredito que o tempo que ele passar conosco aqui, ele vai somar bastante com a gestão”.
Da Lava Jato à prisão
Durante o auge da Lava Jato, entre 2014 e 2016, Ishii atuava como agente da Polícia Federal do Brasil em Curitiba e frequentemente aparecia nas imagens de cumprimento de mandados de prisão. Ele escoltou diversos investigados e condenados da operação, entre eles empresários e políticos de grande visibilidade.
Por causa da exposição constante na televisão e em fotografias oficiais, Ishii acabou se tornando uma espécie de personagem da operação. Nas redes sociais e na cultura popular, virou meme, ganhou marchinha de Carnaval e passou a ser reconhecido nas ruas. Em alguns casos, chegou a receber aplausos e pedidos de selfie de apoiadores da Lava Jato.
Apesar da fama associada ao combate à corrupção, Ishii tinha uma condenação antiga na Justiça Federal. O caso remontava a 2003, quando ele foi investigado na Operação Sucuri, que apurou um esquema de facilitação de contrabando na fronteira entre Brasil e Paraguai, em Foz do Iguaçu (PR).
Segundo a investigação, agentes públicos teriam facilitado a entrada de mercadorias ilegais no país. Ishii foi condenado por facilitar contrabando, recebendo pena de quatro anos e dois meses de prisão.
Em junho de 2016, após perder recursos judiciais contra a condenação, Ishii foi preso em Curitiba para cumprir a pena. A ordem de prisão foi expedida pela Justiça Federal de Foz do Iguaçu.
Após o episódio, Ishii continuou na corporação por algum tempo, mas acabou deixando a Polícia Federal. Posteriormente, também foi condenado à perda do cargo público e ao pagamento de multa, em desdobramentos judiciais relacionados ao mesmo caso de contrabando.
