Trump diz que líderes do Irã ‘querem conversar’ e levanta possibilidade de diálogo; Teerã nega

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou nesta terça-feira, 10, que não está “feliz” com a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder do Irã, mas levantou a possibilidade de diálogo entre Teerã e Washington.
Perguntado se estaria disposto a conversar com líderes iranianos, Trump disse: “estou ouvindo que eles querem muito conversar”.
“É possível, depende dos termos. É possível, apenas possível (…) Se você parar para pensar, nós talvez não precisamos conversar mais, mas é possível”, disse em entrevista à emissora Fox News.
A fala, no entanto, contrasta com declarações de autoridades iranianas. Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país prosseguirá com os ataques contra os Estados Unidos e Israel pelo tempo que for necessário e advertiu que nenhum litro de petróleo do Golfo será exportado enquanto a guerra prosseguir – um conflito que, segundo Trump, “terminará em breve”.
“Estamos preparados para continuar os ataques com mísseis contra eles pelo tempo que for necessário e sempre que for necessário”, declarou Araghchi ao canal americano PBS News. O chanceler acrescentou que as negociações com Washington para acabar com o conflito “já não estão na agenda”, depois que Trump afirmou que a guerra “está praticamente concluída”.
No domingo, antes mesmo de Mojtaba Khamenei ser anunciado como novo líder, substituindo seu pai, Ali Khamenei, morto por ataques contra Teerã, Araghchi já havia rechaçado os apelos por um cessar-fogo. Durante entrevista à emissora americana NBC News, ele declarou que seu país precisa “continuar lutando pelo bem do nosso povo”.
Os Estados Unidos e Israel “estão matando nosso povo, estão matando estudantes, estão atacando hospitais”, disse o diplomata, taxando ambos países de não confiáveis por terem violado a trégua firmada para encerrar uma guerra semelhante, que durou 12 dias, em junho de 2025. “E agora vocês querem pedir um cessar-fogo novamente? Isso não funciona assim”.
“É preciso haver um fim permanente para a guerra”, defendeu Araghchi. “A menos que cheguemos a isso, acho que precisamos continuar lutando pelo bem do nosso povo e pela nossa segurança”.
Em resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel, que começaram em 28 de fevereiro, o Irã iniciou uma ampla campanha retaliatória contra o território israelense e as nações do Golfo que abrigam bases militares americanas. Embora o regime dos aiatolás tenha negado que as ricas monarquias sejam seu alvo, que seria restrito apenas a ativos ligados a Washington (como as bases, embaixadas e consulados atingidos), autoridades árabes afirmaram à emissora americana NBC News que a saraivada contra instalações petrolíferas é proposital e visa aumentar os preços globais de energia para pressionar a Casa Branca e o governo israelense a interromperem o conflito.
