Irã define Mojtaba Khamenei como seu novo líder supremo – CartaCapital

Os clérigos governantes do Irã nomearam neste domingo Mojtaba Khamenei, filho do falecido Ali Khamenei, como novo líder supremo do país, desafiando as ameaças de Estados Unidos e Israel de não aceitar o novo nome.
No nono dia de guerra, os clérigos chegaram a um consenso. A Assembleia de Especialistas destacou que “não hesitou nem um minuto” em eleger um novo líder.
Na última semana, vários nomes circularam para o cargo, reservado a um religioso, incluindo o de Mojtaba, 56 anos, considerado uma das personalidades mais influentes do país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu mais cedo em que deveria ter voz na escolha do novo líder. “Se não tiver a nossa aprovação, não vai durar muito”, declarou ao canal ABC News.
O povo iraniano, e não Donald Trump, deve escolher seu novo líder, rebateu neste domingo o ministro das Relações Exteriores do Irã, que exigiu um pedido de desculpas do presidente norte-americano por iniciar a guerra no Oriente Médio.
“Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder”, disse Abbas Araghchi no programa Meet the Press, do canal NBC. Ele acrescentou que o republicano “deveria pedir desculpas ao povo da região e ao povo iraniano pelos assassinatos e pela destruição que provocaram”.
Bombardeios
O Irã continuava a enfrentar intensos bombardeios em Teerã e em outras cidades, como Isfahan e Yazd, no centro do país. Uma espessa coluna de fumaça cobria a capital iraniana neste domingo.
Israel bombardeou quatro depósitos de combustível na região de Teerã, o primeiro ataque relatado contra instalações petrolíferas do país desde o início da guerra. O Exército israelense também afirmou ter atacado o quartel-general da força espacial da Guarda Revolucionária.
Segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde iraniano, mais de 1.200 pessoas morreram e mais de 10.000 civis ficaram feridos. A AFP não pôde verificar esses números.
Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse que as “Forças Armadas são capazes de prosseguir por pelo menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual das operações”.
O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ari Larijani, afirmou que os Estados Unidos se enganaram ao prever uma resistência de curta duração. “Achavam que seria como na Venezuela: atacariam, tomariam o controle e acabaria.”
Deslocados no Líbano
No Líbano, arrastado para a guerra na última segunda-feira, depois que a milícia pró-Irã Hezbollah lançou um ataque contra Israel para “vingar” a morte de Khamenei, bombardeios israelenses voltaram a estremecer Beirute.
No coração da capital, forças israelenses bombardearam o hotel Ramada, uma operação que deixou quatro mortos e dez feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês.
Israel anunciou um “ataque de precisão” contra comandos importantes da Força Quds, o braço de operações da Guarda Revolucionária iraniana no exterior.
O balanço atualizado de mortos no Líbano desde o início dos ataques, na segunda-feira, subiu para 394, incluindo 83 crianças e 42 mulheres, segundo o Ministério da Saúde. No total, 517 mil pessoas foram deslocadas.
Mortos na Arábia Saudita
O Exército israelense afirma ter efetuado 3.400 ataques desde o início da guerra. Washington divulgou 3.000.
O regime iraniano responde com bombardeios com mísseis e drones contra Israel e os países do Oriente Médio que abrigam interesses americanos.
Na Arábia Saudita, segundo maior produtor mundial de petróleo, um projétil deixou 2 mortos e 12 feridos na província de Al-Jarj, vizinha à capital, Riade.
A Guarda Revolucionária, exército ideológico iraniano, anunciou o lançamento de mísseis contra as cidades israelenses de Tel Aviv e Beersheva, assim como contra uma base aérea na Jordânia.
Os tanques de combustível do aeroporto internacional do Kuwait foram atacados por drones, e uma planta de dessalinização no Bahrein foi danificada em um ataque.
