Vazamento de conversas de Moraes e Vorcaro é “gravíssimo” e “sem precedentes”

Vazamento de conversas de Moraes e Vorcaro é “gravíssimo” e “sem precedentes”


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  • Coordenador do grupo Prerrogativas classificou como “gravíssimo” e “sem precedentes” o vazamento de supostas conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
  • O advogado Marco Aurélio Carvalho criticou também o vazamento do sigilo bancário do filho do presidente Lula, mencionando exposição “fora de contexto”.
  • O grupo Prerrogativas publicou nota alertando para “abuso e espetacularização” nas investigações do caso Master, comparando os procedimentos à Operação Lava Jato.
  • A nota pede que a Polícia Federal adote o “rigoroso marco da legalidade” e preserve a presunção de inocência e o sigilo de provas que afetem a intimidade dos investigados.

O advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, coletivo jurídico progressista em defesa do Estado de Direito, afirmou á Fórum neste sábado (7) que o vazamento de supostas conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é “gravíssimo” e “sem precedentes na História”.

“Os vazamentos seletivos são gravíssimos. Não há a menor dúvida das suspeitas mais do que fundadas em relação ao banqueiro, mas a exposição de dados que revelam a sua intimidade é gravíssima e não tem precedentes na História do sistema de justiça do nosso país”, afirmou o coordenador do Prerrô, que divulgou nota sobre o caso.

Carvalho afirma ainda que “igualmente grave é o vazamento criminoso do sigilo bancário do filho do presidente Lula, que foi exposto a milhares de pessoas fora de contexto e sem a possibilidade enfim de ele oferecer qualquer tipo de explicação ou coisa do gênero”.

“De toda sorte, a defesa de Fábio tem afirmado de forma categórica que não há contra ele qualquer acusação que se sustente. E que a bala de prata que a oposição achava que lançaria contra o peito do governo, do presidente Lula e da sua família, na verdade é uma bala de festim. Ou uma bala soft com a qual eles vão se engasgar. O Fábio é inocente e é vítima de uma perseguição implacável. Assim como o presidente Lula foi e a sua família segue sendo”, disse o advogado.

“Abuso e espetacularização nas investigações”

Na nota, o grupo Prerrogativas critica o que classifica como “abuso e espetacularização nas investigações” do caso Master que, segundo o coletivo, colecionam uma “sucessão de irregularidades praticadas no decurso desses procedimentos”.

“São absolutamente reprováveis e infames as ocorrências relacionadas a vazamentos seletivos de trechos do inquérito policial, assim como a exposição vexatória dos investigados, criando um ambiente de abominável espetacularização da atuação policial que remete à ignominiosa memória da Operação Lava Jato”, lembra o grupo, sobre o processo de lawfare que culminou na prisão de Lula meses antes da disputa presidencial de 2018, que alçou Jair Bolsonaro (PL) ao poder.

“Os excessos inaceitáveis cometidos durante a Operação Lava Jato deveriam servir de alerta para que a atuação da Polícia Federal adotasse o rigoroso marco da legalidade. Urge, portanto, que se preservem as garantias plenas inerentes à presunção de inocência dos acusados, assegurada a sua dignidade no cumprimento de quaisquer medidas determinadas no processo respectivo, zelando-se, ademais, pelo sigilo das provas que possam afetar a intimidade e os direitos de privacidade dos acusados, contida a nociva espetacularização das investigações”, conclui.

Leia a nota na íntegra

NOTA DO GRUPO PRERROGATIVAS SOBRE ABUSOS E ESPETACULARIZAÇÃO NAS INVESTIGAÇÕES

Os juristas, docentes e profissionais integrantes do grupo Prerrogativas, sempre atentos à fiel observância do devido processo legal e das garantias constitucionais dos investigados em processos criminais, vêm manifestar grave preocupação diante dos abusos praticados nos procedimentos investigatórios.

Em que pese reconhecer a importância da adequada e necessária investigação de quaisquer fraudes e não menosprezar a pertinência da elucidação da conduta e dos possíveis responsáveis e envolvidos, inclusive autoridades, o grupo Prerrogativas não pode admitir a sucessão de irregularidades praticadas no decurso desses procedimentos.

São absolutamente reprováveis e infames as ocorrências relacionadas a vazamentos seletivos de trechos do inquérito policial, assim como a exposição vexatória dos investigados, criando um ambiente de abominável espetacularização da atuação policial que remete à ignominiosa memória da Operação Lava Jato.

A manipulação dos procedimentos de apuração policial e de execução de medidas cautelares, inclusive de privação da liberdade dos acusados, não pode, em hipótese alguma, violentar os direitos fundamentais assegurados pela Constituição da República e estritamente regulamentados pela lei aplicável, sob pena de antecipar a culpabilização e estigmatizar os envolvidos, gerando prejuízos irreparáveis não apenas à sua integridade pessoal, como também à credibilidade da ordem jurídica.

Os excessos inaceitáveis cometidos durante a Operação Lava Jato deveriam servir de alerta para que a atuação da Polícia Federal adotasse o rigoroso marco da legalidade.

Urge, portanto, que se preservem as garantias plenas inerentes à presunção de inocência dos acusados, assegurada a sua dignidade no cumprimento de quaisquer medidas determinadas no processo respectivo, zelando-se, ademais, pelo sigilo das provas que possam afetar a intimidade e os direitos de privacidade dos acusados, contida a nociva espetacularização das investigações.

São Paulo, 6 de março de 2026.
 
Marco Aurélio de Carvalho
Coordenador do Grupo Prerrogativas




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