Guerra no Irã: EUA terá resseguro de US$ 20 bi para navios – 06/03/2026 – Economia
Os Estados Unidos fornecerão resseguro para perdas de até US$ 20 bilhões na região do Golfo em meio a guerra no Irã, informou a DFC (Corporação Financeira Internacional de Desenvolvimento dos EUA, na sigla em inglês) nesta sexta-feira (6).
O presidente Donald Trump ordenou na terça-feira (3) que a DFC fornecesse seguro contra riscos políticos e garantias financeiras para o comércio marítimo no Golfo. A medida foi tomada depois que o trânsito de navios-tanque de petróleo e gás natural liquefeito foi interrompido na hidrovia do estreito de Hormuz, ao largo do Irã, onde normalmente 20% do petróleo global é movimentado diariamente.
A cobertura ocorrerá de forma contínua e se concentrará inicialmente no seguro de casco e maquinário e de carga, informou a DFC.
O presidente-executivo da DFC, Ben Black, disse que o mecanismo de resseguro vai “restaurar a confiança no comércio marítimo e estabilizar os mercados internacionais”.
A DFC disse que trabalhará com parceiros de seguros americanos preferenciais, sem fornecer detalhes. O Departamento do Tesouro dos EUA e a DFC estão coordenando com o Comando Central dos EUA as próximas etapas do plano. A DFC é o braço de investimento internacional do governo americano, responsável por parcerias com investidores privados para apoiar projetos em países em desenvolvimento. O Comando Central conduz as operações militares americanas no Oriente Médio.
“A cobertura da DFC oferecerá um nível de segurança que nenhuma outra apólice pode proporcionar”, afirmou Black. “Estamos confiantes de que nosso plano de resseguro fará com que petróleo, gasolina, [gás natural liquefeito], combustível de aviação e fertilizantes passem pelo estreito de Hormuz e voltem a fluir para o mundo.”
As remessas de petróleo foram em grande parte bloqueadas através do estreito, com vários petroleiros danificados por ataques e outros encalhados. Cerca de 500 navios-tanque de petróleo e gás estavam presos no Golfo e águas circundantes até quinta-feira (4), segundo a Lloyd’s Market Association. Menos de 50 navios-tanque passaram pelo estreito esta semana.
Os prêmios de risco de guerra aumentaram e alguns fornecedores reduziram ou retiraram a cobertura.
O plano da DFC vem depois que especialistas em seguros e energia expressaram ceticismo sobre a capacidade de subscrever o extenso risco envolvido em navios transitando pelo Golfo.
O JPMorgan afirmou que a DFC tem acesso a apenas US$ 154 bilhões dos US$ 352 bilhões necessários para segurar totalmente os 329 navios petroleiros na região, cobrindo o risco de poluição por petróleo, salvamento, casco e cobertura de responsabilidade civil em caso de perda total.
A agência tem um teto estatutário de US$ 205 bilhões em sua responsabilidade total até 2031, dos quais havia usado US$ 51 bilhões até o final de 2025, segundo o banco.
Um funcionário da DFC ouvido pelo Financial Times contestou a avaliação do JPMorgan, dizendo que o banco estava olhando para uma cobertura de seguro mais ampla, enquanto a agência se concentraria em cobrir cascos, maquinário e carga.
O funcionário acrescentou que o mecanismo seria necessário apenas por períodos mais curtos quando os navios estivessem na zona de guerra. A DFC está compilando as condições de elegibilidade para os tipos de navios que podem se candidatar ao resseguro. Para ele, a medida ajudaria a aliviar o custo exorbitante do seguro, enquanto a marinha forneceria a segurança necessária para dar confiança aos capitães dos navios para navegar.
Marcus Baker, diretor global de marítimo, carga e logística da Marsh, a maior corretora de seguros do mundo, disse que será importante verificar a implementação prática do plano.
Baker acrescentou que mais “capital entrando no mercado para apoiar o seguro de guerra… tem que ser algo bom para os armadores, pois muito provavelmente reduzirá os preços”.
Com informações Financial Times
