Flávio Bolsonaro: por que o candidato “antissistema” se faz de “beócio” e se cala sobre o caso Master

Flávio Bolsonaro: por que o candidato “antissistema” se faz de “beócio” e se cala sobre o caso Master


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  • Flav Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Planalto em 2026, permanece em silêncio sobre o escândalo do Banco Master, que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro.
  • O caso divide aliados de Flav: Vorcaro contratou ex-ministros do governo Bolsonaro, enquanto Esteves contratou ex-AGU e um ex-ministros para a disputa.
  • Em dezembro, Flav se reuniu com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, em SP, para articular apoio financeiro à sua pré-candidatura.
  • Especializados em rumors de que Esteves ofereceria “estrutura e suporte político” ao projeto de Flav, que busca apoio na Faria Lima.

Buscando ludibriar a ala mais radical do bolsonarismo se colocando como candidato “antissistema”, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue calado sobre o maior escândalo financeiro do país envolvendo as investigações sobre Daniel Vorcaro à frente do Banco Master, instituição que “nasceu” e foi turbinada durante a gestão de Paulo Guedes no “super” ministério da Economia no governo de seu pai, Jair Bolsonaro (PL).

Nas redes, o “01” coloca hiperfoco em Lulinha, usando a mesma estratégia que alavancou o pai junto à horda de extremistas ceivados pela mídia liberal. Sobre o caso Master, o senador apenas repostou duas engraçadinhas respostas de um constrangido Nikolas Ferreira (PL-MG) para rebater o fato de que fez campanha para Bolsonaro em 2022 usando o jatinho de Vorcaro.

Na única declaração na mídia, no também engraçadinho Pânico, da Jovem Pan, Flávio se limitou a dizer que “isso está causando um nojo para todo mundo”, sem ser incomodado com perguntas sobre envolvimento de aliados.

“Beócio”

Mesmo diante das mensagens que vieram à tona, em que Vorcaro trata Bolsonaro como “beócio” – um sinônimo pouco gentil para tratar pessoas ignorantes – por atrapalhar seus negócios, Flávio seguiu em silêncio, querendo demonstrar postura semelhante a do pai, encarcerado em uma cela na Papudinha.

Acontece que o caso Master e a disputa entre os banqueiros Daniel Vorcaro e André Esteves rachou o bolsonarismo, colocando aliados de Flávio nos dois polos do embate.

Após ser beneficiado com medidas de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, alçado à Presidência de um autônomo Banco Central, Vorcaro empregou ex-ministros do governo Bolsonaro para a disputa contra Esteves, que por sua vez recorreu à contratação de outro ex-ministro e um ex-AGU da mesma ex-gestão.

Para seu time, Vorcaro cooptou Flávia (ex-Arruda) Perez, da secretária-geral da Presidência, e João Roma e Ronaldo Bento, responsáveis em parte pela farra dos empréstimos consignados à frente do Ministério da Cidadania.

Já Esteves tem a seu lado o ex-AGU de Jair Bolsonaro, Bruno Bianco, contratado pelo banqueiro em 2023 para fazer a ponte com outro ex-ministro, Fabio Faria (Comunicações), que “presta serviços de relações institucionais para o BTG” – entenda-se lobby.

Bianco, que ficou conhecido como “Mickey da Previdência” devido ao tom de voz, foi justamente quem substituiu o hoje relator do caso, André Mendonça, quando o “terrivelmente evangélico” deixou a Advocacia-Geral da União para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, Flávio tem no “vice de seus sonhos”, como declarou à Folha, o “grande amigo da vida” de Vorcaro: o presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.

A lista de aliados envolvidos na disputa entre os banqueiros não termina ai e pode ser conhecida, em parte, pelos contatos registrados no celular de Vorcaro.

No entanto, com o dono do Master fora do jogo, Flávio se concentrou no outro polo da disputa, que segue firme na Faria Lima e blindado pela mídia liberal.

Assim como Paulo Guedes…

Amigo íntimo e ex-sócio de Paulo Guedes, avalista da candidatura de Jair Bolsonaro junto ao sistema financeiro em 2018, Esteves recebeu no dia 17 de dezembro, já com Vorcaro com tornozeleira eletrônica, Flávio Bolsonaro, recém alçado pelo pai como pré-candidato ao Planalto. O encontro aconteceu na mansão do banqueiro em São Paulo.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Flávio teve uma “longa conversa” com Esteves, um dos principais articuladores políticos da Faria Lima, no mesmo dia em que encontrou cerca de 40 agentes do sistema financeiro na capital paulista. O filho de Bolsonaro também buscou novos encontros com banqueiros para viabilizar sua pré-candidatura junto aos endinheirados, que haviam embarcado no plano da chamada terceira via, colocando Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) como o anti Lula em 2026.

O próprio Esteves já tinha propagado a investidores estrangeiros, segundo o site Platô BR, que Tarcísio seria “a única saída” e que ele iria “se eleger com certeza” para que o Brasil não se tornasse “uninvestable” – ininvestível, em tradução livre – com o quarto mandato de Lula.

Após a publicação da nota, O BTG chegou a emitir nota dizendo que o banco é “apolítico, não emitindo previsões sobre futuro eleitoral”. “André Esteves jamais usou o termo uninvestable’ a ele atribuído na nota, muito menos concorda com esse pensamento”, diz o texto.

Após o encontro em dezembro, sites especializados – geralmente controlados por bancos – divulgaram rumores de que “Flávio Bolsonaro teria afirmado, em conversas reservadas, que André Esteves estaria disposto a apoiar sua futura candidatura, oferecendo estrutura e suporte político”.

“De acordo com essas fontes, a narrativa atribui ao banqueiro a ideia de “comprar” o projeto político do pré-candidato, após encontros recentes em círculos privados. Ainda assim, não há detalhes sobre valores, formatos ou compromissos formais”, diz o site BPMoney, que faz parte do ecossistema midiático no entorno da Faria Lima.

Prisão e ligação com Guedes

Preso por quase um mês, entre novembro e dezembro de 2015, no presídio Bangu 8 por atrapalhar investigações da Operação Lava Jato, Esteves foi sócio de Paulo Guedes no BTG Pactual e uma das figuras centrais na evolução do banco atuando como um dos principais interlocutores da Faria Lima junto ao lobby político do sistema fincaneiro.

Em 2020, Esteves disse que que “sempre liga” para o então ministro da Economia, Paulo Guedes, quando os dois participavam do evento “Conversa com o ministro da Economia do Brasil”, que fez parte de uma conferência global promovida pelo think thank estadunidense Milken Institute.

“Eu falo com Paulo Guedes com frequência sobre isso”, disse Esteves ao comentar sobre “sinais” que o mercado daria ao governo.

Em seguida, Guedes pediu para dar uma explicação. “Eu fui um dos fundadores do banco que hoje André atua. É um garoto brilhante. Mas quero deixar claro para não gerar nenhum mal-entendido: quando eu disse que André me ligou, foram no máximo umas três vezes. No passado, no Brasil existia muita informação privada… Nós somos amigos, mas em todas ligação que fizemos tratamos apenas de assuntos públicos”, declarou.

Com Guedes na Economia, o BTG comprou do Banco do Brasil por R$ 371 milhões uma carteira de créditos avaliada em R$ 2,9 bilhões. Essa foi a primeira transação envolvendo créditos do BB fora do seu conglomerado e gerou um alerta na Controladoria-Geral da União (CGU), que concluiu que a cessão da carteira ocorreu sem as devidas justificativas ou um planejamento estruturado por parte do BB.

Para a CGU, que colocou a investigação sob sigilo, e o Tribunal de Contas da União (TCU) a falta de transparência acarretou prejuízos ao erário público. As estimativas apontaram que a operação pode ter gerado um lucro significativo, de cerca de R$ 1,7 bilhão, para o BTG Pactual.




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