‘Quem esperava colapso do Irã desconhece sua história’, afirma analista sobre resistência após morte de Khamenei

‘Quem esperava colapso do Irã desconhece sua história’, afirma analista sobre resistência após morte de Khamenei


No quinto dia de guerra entre Irã e a aliança liderada por Estados Unidos e Israel, longe de recuar, Teerã respondeu com uma ofensiva multidimensional que atingiu bases estadunidenses em toda a região e fechou o Estreito de Ormuz, desafiando a hegemonia militar dos EUA no Golfo Pérsico.

Para Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, é uma guerra de sobrevivência aos iranianos. “Quem imaginava um colapso por conta do assassinato de Khamenei, simplesmente desconhece a história do país e a realidade do seu sistema político”, explica ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Leães relembra que a administração Trump foi alertada pelo comando militar iraniano que havia sinalizado que essa seria uma guerra muito difícil, principalmente com o assassinato do líder supremo aiatolá Ali Khamenei.

Sobre a reação europeia, Leães compara com 2003 na guerra do Iraque, quando Alemanha e França se opuseram, e os EUA não gostaram, mas não ameaçaram punir aliados. “Agora, Trump ameaça a Espanha, fala em acabar com relações comerciais. E vimos Friedrich Merz, da Alemanha, concordando com esse tipo de chantagem. Não há apenas uma fissura na aliança por conta de Trump. Os europeus estão brigando entre si.”

Apesar disso, Leães não vê ruptura imediata. “Não acredito que a Espanha vá sair da União Europeia ou da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] agora. Os países vão começar a se preparar para um mundo novo, onde os EUA se mostram como um aliado não confiável.”

Para o internacionalista, a estratégia iraniana de atacar bases estadunidenses em países vizinhos é uma forma de acabar com o sistema de hegemonia na região, sustentado militarmente por essas bases e pelo transporte de petróleo e gás.

Sobre a posição chinesa, o professor vê um cenário aberto. “A China quer manter neutralidade. Se vendesse armas, isso poderia ser interpretado pelos EUA como um ato de guerra. Mas a Nova Rota da Seda é fundamental para a China, e o governo iraniano é muito importante para seus planos geopolíticos.”

Leães menciona a possibilidade de mísseis anti-navio chineses supersônicos terem sido enviados ao Irã. “Se isso aconteceu, os EUA não teriam condições de se defender. Um porta-aviões norte-americano afundado seria uma derrota fundamental para Trump. A China pode ajudar o Irã a criar esse cenário, mas não sabemos se vai optar por essa trajetória.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.



Source link

Postagens Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *