Artistas e grupos pernambucanos que marcaram história do Manguebeat desfilaram na Sapucaí, com a Grande Rio; saiba quem são
Quando entrou na Marquês de Sapucaí já na virada da Terça-Gorda (17) para a Quarta-feira de Cinzas (18), a escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, que neste ano trouxe o enredo “Nação do Mangue”, em homenagem ao movimento cultural Manguebeat, levou em seu desfile pernambucanos que carregam em si as raízes mais antigas que abriram os caminhos do movimento, além de protagonistas de sua construção e os frutos de seu legado.
A escola de Duque de Caxias estabeleceu conexões entre a potência criativa e as denúncias sociais que ebuliram nessa movimentação cultural no Recife dos anos 1990 com a realidade atual de sua comunidade na Baixada Fluminense. Na construção visual do desfile, participaram artistas visuais pernambucanos como Evêncio Vasconcelos, Tchôca, Carolina Noemia e o Coletivo Vacilante.
No desfile, Duque de Caxias abriu alas para Chão de Estrelas, com a participação no desfile do Mestre Meia-Noite e Vilma Carijós, idealizadores do Daruê Malungo, centro de educação e cultura fundado em 1988, ancorado em manifestações culturais populares e afrodiaspóricas de Pernambuco. Foi por lá que Chico Science se juntou ao Lamento Negro, grupo que lançaria as sementes percussivas do que se tornaria a Nação Zumbi.
“Agradecemos a Grande Rio pela oportunidade de termos essa satisfação de participar deste grande espetáculo que é o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Muito obrigada pelo reconhecimento da força e da resistência do Daruê Malungo. Pernambuco presente!”, afirmou Vilma Carijós, em suas redes sociais.
O Lamento Negro, por sua vez, não apenas esteve presente no desfile, como foi homenageado pela bateria da Grande Rio, que se trajou em homenagem ao grupo, celebrando os batuques que saíram de Peixinhos para mudar os rumos da música brasileira.
Com o Lamento, esteve presente Gilmar Bola 8, que veio do grupo para os projetos de Chico e foi membro da Nação Zumbi até 2015. “Na avenida, o tambor encontra o samba. Da raiz de Peixinhos para o espetáculo do carnaval brasileiro. Cultura, ancestralidade e ritmo caminhando juntos na Marquês de Sapucaí. O som do mangue ecoa longe”, declarou Gilmar.
Já da Cidade Tabajara, esteve também presente Maciel Salú, músico que atua na continuidade do legado das tradições populares pernambucanas, iniciado por seu pai, o Mestre Salustiano, outra grande referência de Science e que também foi homenageado em um dos figurinos do desfile (foto abaixo).

Maciel Salú desfilou no carro alegórico “Caranguejos com Cérebros”, que leva o nome do manifesto que lançou as bases conceituais do movimento Manguebeat. O cantor Fred 04, frontman da banda Mundo Livre S/A e autor do texto publicado em 1992, também desfilou com a alegoria. No mesmo carro, esteve devidamente paramentada Louise, filha de Chico Science, que vem traçando também uma carreira na música nos últimos anos.
“Foi uma terça-feira intensa. Transbordo orgulho e alegria pela riqueza cultural que Pernambuco entrega ao Brasil. Pela relevância histórica do movimento, pela memória do meu pai, que são eternas independente de pódio. Era por ele que eu estava ali”, afirmou Louise em suas redes sociais.

